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VOLEI FALADO: Colunista interrompe colaboração

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Coluna de opinião "Volei Falado" 

Após dois anos e meio a assinar a coluna de opinião “Volei Falado” com publicação periódica, Joaquim Teixeira cessa a sua colaboração no projecto MAISVOLEIBOL.

Motivos de ordem pessoal e de saúde pesaram nesta decisão do nosso mais antigo e assíduo colaborador. 

Deixamos uma forte palavra de reconhecimento e agradecimento pela forma empenhada e apaixonada com que Joaquim Teixeira sempre desenvolveu o seu trabalho no nosso site. Obrigado!

Boa sorte no novo caminho!


MAISVOLEIBOL 
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VOLEI FALADO: Tigres de Alma e Garra

segunda-feira, 8 de abril de 2013


Se pesquisarmos pela net sobre tigres, vimos a descobrir que o tigre é um felino e de entre outras coisas descobrimos também que existem várias espécies e por mais incrível que possa parecer, também existem as subespécies.

Mas fiquem descansados não irei falar de animais, mas sim dum outro tigre, o chamado Tigre da Costa Verde, que neste caso são os tigres do Sporting Clube de Espinho.

Este clube, que num passado bem recente espalhou a sua magia no voleibol mundial ao conquistar um importante titulo, que mais nenhum clube português conseguiu. Nesse tempo um jovem plantel oriundo dos seus escalões de formação elevou bem alto o nome do clube e do voleibol.

Hoje a realidade é outra, é um clube com dificuldades financeiras, com grandes necessidades, com um plantel reduzido, com lesões e sem saber o que o futuro reserva. Mas ainda assim, contra tudo e contra todos, o actual campeão nacional luta, com toda a sua garra, determinação e coragem, contra todas as contrariedades que semana após semana vão aparecendo no seu grupo de trabalho, e que acima de tudo lhes serve de incentivo para o seu objectivo, a renovação do ceptro nacional.

Longe vão os tempos onde Maia, Brenha, Vitó, Afonso, Pedrosa e outros tantos faziam as delicias de muitos, desde jovens atletas, treinadores e até directores. Longe vão os anos em que todos semeavam o “terror” nos seus adversários. 

Agora e ainda com essa grande referencia do voleibol espinhense de seu nome Miguel Maia, a geração é outra, é a geração do entusiasmo, da alegria e da competitividade, a geração do Maia, do Moreira, do Ribeiro, do Cruz e de tantos outros, que dia a dia, semana a semana, lutam com grande determinação, coragem, força e garra, porque este tigre ainda tem a garra toda, e para os que pensam que está extinto, jogo a jogo estes tigres vão mostrando o rumo certo da sua luta, munido de um forte timoneiro e apoiado pela sua massa adepta, que qual claque organizada, jogo após jogo mostra a sua alegria e o apoio aos seus ídolos e como os idolatram.

Terminando e repetindo uma vez mais, este tigre tem garra, tem alma, tem coragem e ainda não terminou a sua luta.

Joaquim Teixeira, volei falado
maisvoleibol 2013

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VOLEI FALADO: O que é nacional é bom!

terça-feira, 2 de abril de 2013


No passado sábado, tivemos a final da Taça em voleibol feminino, frente a frente e desculpem a expressão, tivemos um Brasil versus Portugal.
Dum lado as açorianas do CD Ribeirense com as suas brasileiras e do outro lado o GDC Gueifães apresentando as portuguesas.

Antes demais e para que não comecem com as acusações de que sou contra isto ou aquilo, o facto é que por muito que tentem encobrir alguns factos, o que realmente interessa neste caso, é que se a situação fosse ao contrário, certamente estaríamos a falar das brasileiras que o Gueifães pudesse ter ou não ter no seu plantel.

O facto é que desde que se abriram as portas a atletas europeus e não só, em minha modesta opinião, alguns clubes aproveitaram-se dessa forma para se promoverem no desporto nacional com a aquisição de atletas estrangeiros.

Tenho acompanhado algumas equipas femininas do nosso principal escalão, devo reconhecer que temos de louvar a forma como muitos destes clubes se organizam internamente sempre pensando como melhorar a suas equipas nos próximos anos, mas recorrendo à tal mão de obra barata, ou seja, apostando nos escalões de formação.

Neste meu acompanhamento pude verificar, que a maioria das equipas provenientes das ilhas, no que refere ao escalão sénior feminino, aposta muito e quando digo muito, falo numa percentagem a rondar os 90% de todo o seu plantel em atletas estrangeiras, quase sem apostar nos chamados escalões de formação.

Por momentos, ponho-me no lugar dum destes treinadores, e.... provavelmente, se eu pudesse também apostaria em atletas estrangeiros, e na certa treinasse a equipa que fosse, certamente também conquistaria títulos, pois como diz o outro, “assim não custa”.

Não estando a acusar ninguém, não sei como estão os escalões de formação dos clubes das ilhas, mas a avaliar pelos seus planteis seniores, apenas poderei dizer que provavelmente a qualidade não abunda por lá, pois o numero de atletas formadas nesses clubes e que chegam a seniores são praticamente nulos ou em alguns casos nem existem.

Por assim dizer e se as coisas continuarem assim, iremos continuar a ver equipas que apostando praticamente em atletas formadas no estrangeiro, chegam e dominam praticamente o nosso voleibol lusitano.

A mim, certamente preocupa-me, aos outros não sei. Mas deixo espaço aberto para mais um debate.
Mas uma coisa posso dizer, em comentário ao jogo da final da taça, parabéns às equipas pelo espectáculo proporcionado e já agora os parabéns à formação, porque o que é nacional, é bom.


Joaquim Teixeira, volei falado
maisvoleibol 2013


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VOLEI FALADO: Ideia de mudança...

sexta-feira, 29 de março de 2013


É sabido por todos, que vivemos num mundo e num país em que o futebol domina no campo geral no que toca ao desporto, é nele que se ganham milhares senão mesmo milhões de euros em compras e vendas, e no que toca ás restantes modalidades estamos que digamos sem lucros, apenas gastos.
Contudo num mundo de futebóis eis que as ditas modalidades amadoras surgem com algum plano de relevo, conquistando as massas adeptas.

Analisando as modalidades reparei que algumas delas tem as mesmas tendências ao nível de campeonato, com poucos jogos, poucas equipas e muitas delas com as chamadas jornadas duplas.

Por tal cá fica uma ideia, pode ser do agrado de muitos ou não, mas cá partilho.

Nesta minha análise, verifiquei que muitas das equipas dos escalões principais estão prestes a terminar os seus campeonatos e estamos falando cá. O mesmo por exemplo, não acontece com os internacionais que estão fora do país a representar os seus clube e que a bem dizer estão a competir nas provas como que a meio.
Ora se por cá, muitos estão acabar e sabendo que a sua maioria será dispensada dos seus clubes afim de evitar gastos, é previsível que as equipas que provavelmente passarão à fase final, na pior das hipóteses também tenham os seus campeonatos acabados cedo.
Assim sendo e continuando com a mesma análise, reparei também que os atletas lusos que poderão ser convocados para representar a selecção nacional na liga mundial vão também ter de aguardar para trabalharem na selecção, sabendo que o seleccionador representa um clube e ao qual ainda está em competição.

Então a questão que se coloca, porque insiste a federação em fazer as tais jornadas duplas?

No inicio falei no futebol e agora volto com ideias que foram implantadas no mesmo.
Como todos sabem o nosso campeonato nacional, chamado por A1, apenas tem 12 equipas a participarem nele, por tal, porque não jogam apenas uma vez por semana como acontece no futebol?
Prontos, vão começar a falar por causa das equipas dos Açores e da Madeira e assim sendo ok, gastos, viagens, deslocações e a treta do costume, mas o certo é que continuamos a ter o mesmo problema, a ter o nosso campeonato a terminar cedo, muito cedo.
A minha ideia era, porquê não alargar-se o campeonato nacional a mais equipas, ou então e aproveitando aquilo que as associações fazem com os mais novos, arranjar mais provas para que os atletas consigam competir. É que se observarem, se os doze clubes tiverem 20 atletas, fazemos uma soma de cerca 250 atletas no escalão máximo do voleibol nacional, e desta soma apenas uns 20 fazem parte dos trabalhos da selecção, sendo que os restantes são os internacionais a actuarem fora. Portanto, temos 200 atletas a gozar um ligeiro período de inactividade, ainda que se a maioria for participar no nacional de voleibol de praia, estarão cerca de 3 meses a aguardar para o inicio do campeonato.

A realidade é uma única, paragem bastante larga para a maioria dos atletas do escalão principal, e estamos apenas a falar do masculino.

O que fazer então? Que medidas estão a ser tomadas para este problema?

Como referi a minha sugestão é alargamento de equipas e alterar a forma como o campeonato é realizado. Mas aceitam-se mais ideias e sugestões.O debate está aberto.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: “Até ao último peixeiro”

domingo, 24 de março de 2013


Poderão pensar muita coisa sobre o titulo desta crónica, mas certamente alguns e as gentes de Matosinhos saberão o porquê.

Neste fim de semana tive o prazer de ver ao vivo, e com uma excelente companhia a meu lado, o jogo entre as equipas seniores masculina do Leixões Sport Clube e da Associação Académica de Espinho, naquilo que chamam a fase dos últimos.

O que me levou praticamente ao pavilhão do Leixões não foi o assistir ao encontro, mas sim aos comentários e troca de opiniões que alguns amigos partilharam comigo através das redes sociais e foi com alguma nostalgia que assisti desde o seu inicio aos bravos guerreiros do clube do mar.

Longe vão os tempos em que o voleibol do Leixões respirava saúde, confiança e cativava os seus adeptos. De facto longe vão os tempos em que quem ia ao seu recinto via e assistia a enormes alegrias. Longe vão os anos em que a equipa matosinhense conquistava campeonatos uns atrás dos outros. 

Mas se em seniores as coisas vão distante em termos de conquista de títulos, já nos seus escalões de formação, não há ano, e desculpando a expressão, em que as suas equipas não molham a pena, ou seja, ganham títulos.

Mas voltando aos escalões mais velhos, os seniores, existem neste momento duas equipas diferentes das realidades em que anos anteriores pareciam serem outras. Actualmente os seniores masculinos atravessam grandes problemas, não venceram qualquer jogo na primeira fase, foram para a segunda fase como que destinados há descida de divisão, mas ainda assim lá vão conseguindo contrariar algumas das expectativas criadas por muitos, que já os consideram a caminho do escalão inferior, a segunda divisão. 

Mas enganam-se os mais esperançosos, o facto é que hoje pude ver uma equipa com muita entre e ajuda, com luta, com garra e apesar de andarem todos nisto pela carolice, o facto é que acreditam que até ao cair do pano, o sonho de se manterem no escalão principal ainda é possível, e talvez o seja.

Já as seniores femininas que nos últimos tempos lutavam para ficarem entre as melhores, eis que nos últimos dois anos conseguem surpreender tudo e todos, e num misto de juventude com atletas mais experientes, eis que são sérias candidatas ao titulo, e tudo dependerá delas, da sua união, esforço e entrega.

Contudo hoje e após uma troca de ideias com a tal companhia, uma coisa é certa, estes jovens guerreiros merecem ficar no escalão máximo, e são muitos os que o desejam que este pesadelo acabe, mas com a certeza que o sonho da manutenção se concretize para os lados de Matosinhos.

Triste é ver semanalmente cartazes como os que a foto demonstra, que infelizmente é a mais pura das realidades mas que apenas serve de admiração e luta para os jovens guerreiros do voleibol leixonense.

Uma coisa é certa e como vários atletas o fazem nas suas páginas, “lutar até ao último peixeiro”. Eu acredito nesta geração, no sonho e esperemos que mesmo que o pior aconteça, estes lutadores tudo farão para se erguerem de novo.

Um bem haja ás gentes do mar.

Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: O Regresso á Liga Mundial

quinta-feira, 21 de março de 2013


Quando todos já faziam contas há participação da selecção nacional sénior masculina na liga europeia, eis que quanto menos se esperava uma vez mais acontece uma reviravolta a favor uma vez mais das hostes lusitanas, e assim sendo a federação internacional comunica há federação portuguesa de voleibol que iremos participar uma vez mais na liga mundial, desta feita em substituição da selecção do Egipto.

Ora bem, desde já felicito este regresso da turma das quinas a esta importante prova e embora sabendo que este ano a mesma se efectue de moldes diferentes, certamente que marcarei presença nos jogos a realizarem-se no nosso humilde país há beira-mar plantado.

Contudo, falemos de coisas que me deixam com um que de dúvidas.

É certo e sabido que a participação da época passada deixou muito a desejar aos adeptos do bom voleibol, e além disso, muitas foram as personalidades ligadas a este desporto que se manifestaram também contra a participação lusa na prova, desde a forma como foi encarada pelos responsáveis máximos, a preparação da mesma, a condição física dos atletas e até mesmo as tácticas usadas pelo seleccionador nacional, isto sem falar de algumas declarações do mesmo perante os meios de comunicação social.

De facto este seleccionador de origem italiana, Flavio Gulinelli não é do agrado do público, mas ainda assim, o mesmo parece ter cativado o responsável máximo da federação, que apesar da fraca prestação da época passada ainda manteve o mesmo nas suas funções.

Assim sendo a dúvida que se coloca a meu ver é simples, em que modos pretenderá o senhor seleccionador desta vez preparar a equipa nacional para tão importante prova?

Esperemos que não sejam os mesmos da temporada passada que culminou com a tal onda de protestos e de insatisfação por parte de todos. Sabido também que o dito senhor não costuma marcar presença em jogos do nosso nacional e assim sendo como fará uma vez mais a convocatória?

Bom, estas serão as questões e se calhar mais algumas que muitos colocarão, contudo a ver vamos como serão efectuadas as coisas daqui para a frente. Em termos organizativos a federação dará uma vez mais o seu melhor, agora em termos competitivos vamos ver como as coisas serão efectuadas.

Quanto a nós comuns mortais, apenas esperemos que o trabalho desta vez dê frutos e no final cá estaremos para criticar ou elogiar. Até lá,  Força Portugal e Força ao Voleibol Nacional!


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: A nova geração de árbitros

terça-feira, 19 de março de 2013



Nem tudo no voleibol são más noticias, embora que como costumo dizer temos sempre de saber aceitar as opiniões sejam elas boas ou más.

Hoje soube de algo que me deixou profundamente satisfeito e orgulhoso de ter feito parte dessa classe voleibolista, que é amada por uns e odiada por outros, mas que temos de viver com ela, ou seja, ser árbitro.

A noticia que recebi, foi que a turma há qual fiz parte há alguns anos atrás quer como árbitro estagiário e depois como árbitro regional, está toda neste momento como árbitro nacional, que como diria um grande mentor meu, chegaram ao patamar mais alto em termos de árbitros, mais satisfeito fiquei ao saber que 90% dessa turma está nessa categoria, sendo que a sua maioria pertencente à Associação de Voleibol do Porto.

Mais contente fiquei quando soube que alguns desses meus ex companheiros de guerra, fizeram o curso de árbitro internacional, com boas notas e que neste momento estão a um pequeno passo de se tornarem oficialmente internacionais, sejam eles de pavilhão ou até mesmo na praia.

Contudo, e a pesar desta satisfação em ver antigos colegas a irem longe na carreira que escolheram, fico um pouco preocupado ao ver a chamada nova geração a arbitrar e reparar em casos que por muito que o diga são de bradar aos céus.

Alguém uma vez me disse que era um tipo muito observador e estudioso, confesso que sim, pois todos os dias conhecemos coisas novas, contudo por vezes também erro, pois o ser humano não é perfeito e temos acima de tudo saber que erramos e admitir o nosso erro, e por muito que façamos comparações, os melhores também erram. A perfeição é coisa que não existe.

Voltando ao facto de ser observador, eis que nestas últimas semanas dei por mim a assistir a alguns jogos de formação e a ver as caras novas da nossa arbitragem e cheguei à conclusão que alguns ou desconhecem as regras ou então existem os chamados bloqueios de memória e esquecem-se onde estão ou o que estão a fazer, embora que em alguns jogos os disparates continuam semanalmente, o que me leva a pensar que estes “putos” novos não vão durar muito neste campo.

É sabido que dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, o chip que temos na nossa cabeça começa a ficar gasto ou como eu costumo dizer, fica queimado, e então temos de renova-lo. Alguns daqueles que foram os meus mentores na área da arbitragem e falo dessa velha guarda, Arnaldo Rocha, Avelino Azevedo, Marcelino Tavares, António Moreira e outros tantos que marcaram gerações, diziam-me sempre, “se tens dúvidas, lê as regras vezes sem conta, está lá tudo”, e meus caros como eles tinham razão.

O facto é que estas caras larocas desta nova geração já querem apitos bons, cartões que ficam junto aos postes da rede e desculpando a expressão, de esquisitices, que no meu tempo ninguém ligava grande importância, esquecendo-se do mais importante que sempre me ensinaram, ler e ver.

Num dos jogos que pode assistir tive o prazer de rever um árbitro ao qual muito sinceramente pensei que já se tinha deixado de arbitrar e porque perguntam os caros leitores, porque simplesmente em minha opinião e se calhar de muitos que preferem estar calados, não tem categoria e darei alguns exemplos que acontecem quando esse senhor “apita” algum jogo.

Cá vai:
São os jogos que por exemplo, iniciam com 10 minutos de atraso em relação à hora prevista, e sem qualquer motivo aparente.
São as interrupções que o dito senhor faz quando o/as atletas estão a aquecer no chamado aquecimento oficial à rede, em que ninguém consegue perceber o porque das mesmas.
São os sermões que o mesmo dá, quando as equipas alinhadas para a apresentação ao publico que não se entende.
E por fim, os gestos técnicos que o mesmo executa e que sinceramente, nem eu sei que gestos são e pior nem os intervenientes no jogo sabem o que é.

Ao que parece e em minha opinião este dito senhor tem o chip queimado há muito, pois segundo se sabe, o mesmo sujeito é ou era árbitro em 6 modalidades diferentes.
Não sei se pretende ir mais longe na carreira e muito sinceramente se fosse eu a mandar, muito certamente já não estaria a arbitrar, mas o certo é que para espanto de muitos, alguns acham piada e outros lá dizem que nem é mau, até ao jogo em que o caldo entorna e os casos sucedem semana após semana.

O mais incrédulo disto tudo é que a associação sabe, a federação sabe, os clubes sabem e semana após semana o sujeito lá continua sem que ninguém queira saber ou dizer nada e por vezes dou-me a recordar nos meus tempos de adolescência em que via alguns directores a dizerem, “será que vamos ter árbitro hoje?”, e ao que parece hoje em dia preferem ter alguém de azul claro na cadeira do que não ter.

Este é um caso que acontece, talvez um caso isolado ou não, mas ainda assim muitos são os jovens árbitros que deixam um pouco a desejar e para eles um concelho dum tolo, que na altura dei muita importância e que actualmente não só eu como outros mais demos  simples meus caros, não precisam de ter os melhores a acompanha-los diariamente nos vossos jogos, mas o que precisam é de ler, estudar e acima de tudo ver, vejam muitos jogos, dos vossos colegas de classe, dos mais velhos e até mesmo dos que passam na televisão ou até na internet. 
Por vezes pensamos que sabemos tudo, que não precisamos de mais nada e até que nascemos para sermos árbitros, mas o certo é que todos os dias aprendemos sempre algo mais, todos os dias temos dúvidas sobre determinada regra ou de algo que nos aconteceu num jogo, e só partilhando, analisando e conversando sobre os factos, é que progredimos e crescemos naquilo que queremos no futuro.

A todos os que partilham esta vida não muito apreciada por muitos, apenas vos posso desejar, muito sucesso e acreditem, se procurarem ajuda evoluem, caso contrário ficam agarrados ao presente.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Formação adequada ou não?

sábado, 16 de março de 2013


Nas últimas semanas acompanhei com alguma persistência jogos dos escalões de formação, podia tê-lo feito de forma aleatória, mas apenas tentei ver jogos precisos, nomeadamente nos escalões de infantis e iniciados femininos.

O porque desta minha insistência nestes escalões, foi para o facto de que recentemente depois de assistir alguns jogos destes escalões, eis que algo me chamou a atenção, estarão as atletas devidamente formadas ou não?
A pergunta pode ser um pouco impertinente, mas a explicação virá em breve.

O facto é que não querendo citar nomes, nem os clubes tão pouco, eis que algo me chamou atenção nos jogos a que assisti e por dois motivos.
A história dos clubes que visitei e a formação dos mesmos clube.

Incrível como que clubes com uma vasta história e tradição no voleibol nacional e que com projectos em que na sua maioria começam a formação nas suas atletas ainda com tenra idade, chegam ao escalão de iniciadas e ainda actuam como se estivessem no escalão de minis.

De facto por muito que custe aceitar a verdade é que não foram apenas um, mas vários clubes que sem saber, receberam nos seus recintos a minha modesta visita e com algum espanto eis que reparei neste pequeno defeito ou não.

Como é possível, atletas que começaram tão cedo e chegarem algumas ao segundo ano de iniciadas e ainda jogarem como se fossem minis. Outra das coisas que reparei e para quem assiste das bancadas foi que a maioria dos pais destas atletas das duas uma, ou pouco se importa com os resultados da mesma e a sua educanda vai praticando a modalidade que adora ou então, desconhecem todo o processo de formação e este tipo de voleibol tem evolução nos escalões seguintes.

Na qualidade de pai, gosto que a minha filha seja uma vencedora, embora que ganhe ou perca tudo faz parte dum processo de vida, embora que como ex treinador costumo dizer, que percam com estilo, sabendo que deram tudo dentro de campo e no treino.

Ora bem, voltando aos jogos, aquilo que vi foi quase que repetitivo, sem ataques, sem defesas, sem blocos, serviços falhados, alguns feitos por baixo e sem qualquer direcção e para não variar aquele tipo de jogada muito característico nestes escalões, em que numa bola divida as atletas ainda ficam na duvida sobre quem iria e na qual depois soube o olhar do treinador/a lá aceitam o facto de que erraram. Enfim.

Casos destes acontecem semanalmente e se nestes escalões jogam assim, como vão jogar quando chegarem a juvenis?

O que me faz perguntar de novo, como se explica a um pai ou mãe, que coloca a sua filha a praticar voleibol desde muito nova e depois de alguns anos em minis, colocam num escalão mais competitivo e ainda assim continuam a actuar como se ainda estivessem a aprender de novo.

Costumo dizer que tudo na vida é sempre um método de aprendizagem, aliás quantos mais anos tenhamos no desporto, na vida pessoal ou até profissional estamos sempre em aprendizagem constante, conhecendo sempre coisas novas.

Falando com alguns responsáveis de equipa, muitos foram os que me comunicaram que as atletas nos treinos se aplicam e que treinam como se fossem seniores, coisa que não duvido, mas se assim treinam então como se explica o facto de chegarem aos jogos e semana após semana continuam a actuar sempre da mesma forma, como se estivessem em fase de iniciação na modalidade.

Nem todas estas situações acontecem em todos os clubes, fiquem descansados os mais sépticos, pois ainda assim vi casos fantásticos de atletas a competirem com muita competividade e certamente no final da época os resultados aparecerão.

Voltando ao tema desta crónica a minha dúvida ainda permanece, porque é que clubes com basta história e tradição na modalidade permitem ainda estas situações.
E a resposta é simples, má gestão, má organização e acima de tudo, os responsáveis não querem saber.

Durante esta pequena pesquisa e depois de muito blá blá, pude também verificar que a maioria destes clubes com tradições e história na modalidade, não tem o acompanhamento devido por parte dos seus responsáveis máximos, neste caso, o responsável por toda a estrutura do voleibol de formação e também por quem dirige a modalidade em cada clube, pois muitos deles e pelo que vim a saber, não aparecem nos treinos, nos jogos, nos torneios e que quando assim o fazem é apenas para rever algum amigo/a. 

O facto é que no final os resultados saltam há vista, e se procurarem vem e não precisam de muito esforço para tal, basta seguirem os meus passos e responderem a uma simples pergunta. De todos os clubes com basto historial de formação no voleibol feminino português, quais os que não marcaram presença nos últimos três anos nas fases finais dos nacionais de infantis e iniciadas? Pois, pensem bem e certamente terão todas as respostas às duvidas que possam ter sido levantadas nesta crónica.

Até breve.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Paguem o que devem!

quarta-feira, 6 de março de 2013



A fase final ou como lhe chamam a série dos primeiros e dos últimos já começou a ser disputada e o assunto do momento voltou outra vez a marcar presença nas redes sociais, nomeadamente no facebook. E perguntam-me qual o tema, simples, o incumprimento de certos clubes com o que ficou estipulado no início da época com atletas e treinadores, ou seja, mais uma vez os ordenados em atraso.

O certo é que já lá vai o tempo em que numa crónica por mim efectuada, dei conta na altura dos chamados clubes dos futebóis, as manobras de bastidores que determinados clubes faziam. A situação piorou e muito recentemente pude ver com os meus próprios olhos, algumas situações de atletas e treinadores que em jeito de desabafo, davam a conhecer a forma como eram tratados pelos responsáveis máximos dos seus clubes.

Ora se os clubes não cumprem com os seus “trabalhadores”, neste caso os seus atletas e técnicos, o que devem fazer? A quem se devem dirigir? A resposta é simples,... tribunais! 

Se uma empresa não cumpre, o trabalhador não deixa de ter os seus direitos, e como tal, se no desporto acontece o mesmo, os prejudicados que não tenham contemplações,  resolvendo-se os incumprimentos nas barras dos tribunais. Se existem contratos de trabalho, se os patrões (responsáveis dos clubes) não cumprem, há que simplesmente lutar pelos direitos acordados. 

O facto é que a gravidade de toda esta situação, faz com que por vezes não se saiba o que fazer, e de dia para dia, além destas situações não se resolverem, acabam-se por ver mais atletas que reflectindo sobre esta realidade, decidem abandonar a modalidade, procurar clubes que cumpram ou então partirem para uma aventura europeia, embora que esta última apenas ao alcance dos chamados fora de série.

Mas afinal para que servem as associações, se simplesmente vêm as coisas acontecerem e nada fazem, pois as manifestações continuam semanalmente a acontecerem, sejam nas redes sociais e até mesmo em pequenas conversas entre amigos e aos quais a vergonha de se encontrarem nesta situação, faz com que apenas um pequeno gesto dê para entender o quanto estão desmotivados atletas e treinadores. Ainda assim, estes continuam semanalmente a lutar pelos objectivos, enquanto que os aldrabões, mentirosos e outros nomes que nem vale a pena falar, pavoneiam-se nos pavilhões como se tudo estivesse bem.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Velhos são os trapos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013


Para os poucos que me acompanham pelo facebook, sabiam da troca de mensagens entre mim e um grupo de senhoras de “salto alto”, que aos olhares de muitos deviam ter juízo, mas que ainda assim continuam a fazer, neste caso a praticar aquilo que mais gostam, voleibol.

Ora bem, este grupo, já de veteranas andavam a desafiar-me para ir assistir a uma partida delas e mesmo há ultima hora lá consegui ir assistir ao encontro, que supostamente não começou a horas, mas que importou isso!?

Os populares costumam ter vários ditados, ao qual escolhi o do titulo desta crónica, “Velhos são os trapos”, e simplesmente porque assim é verdade.

Podia dizer que a expressão “deitar cedo e cedo erguer…” não faz parte do vocabulário destas, e desculpem a expressão nortenha, “beilhotas”, porque marcarem um jogo para as 10 e meia da noite não é para qualquer um e além do mais sendo elas mulheres maduras, na casa dos quarenta e muitos, casadas, com filhos e que algumas tendo uma vida atarefada, conseguirem chegar ao final do dia e mostrarem a alegria, coragem e força para encararem um jogo, acreditem que não é fácil.

De facto, convite feito, lá fui com a maior das satisfações e alegria para ver de novo em acção, muitas das não diria ídolos de infância, mas sim as miúdas que vi a competir com grande categoria quando comecei nestas lides do voleibol. Elas lá estavam, algumas saudaram-me, outras provavelmente sem reconhecerem-me, pois os anos passam, mas o facto é que estas senhoras ainda dão frutos.

O pavilhão esteve com uma boa moldura humana, o jogo prometia e nas bancadas novos e velhos iam falando e comparando as outrora excelentes atletas e as novas atletas, e para mim, não há comparação possível.

O estilo continua vivo, a vontade também e como quem sabe nunca esquece, o certo é que algumas ainda hoje fariam a diferença em algumas equipas do escalão principal.

Por muito que os anos passam, elas não mudam, apenas as rugas nos tornam mais velhos, que de resto, estas senhoras estiveram impecáveis, não há celulite, nem pneu, nem desculpa disto ou daquilo, apenas existe a vontade de competir, de jogar e acima de tudo conviver com amigas de longa data.

É fantástico ver como os anos passam, mas mesmo assim, aqueles pequenos gestos que acompanhamos anos e anos ainda lá estão bem presentes. O jogo em si foi fantástico e muito disputado ponto a ponto, e para tal também com um excelente árbitro a ajudar a este convívio de veteranas.

Para os interessados e saudosos de reverem estas “cotas”, acompanhem o campeonato delas e também do masculino.

E para terminar, quero deixar um agradecimento enorme ás duas pessoas que me convidaram a assistir a este encontro, Paula Semedo e Luísa Rijo, o meu obrigado, e já agora Paula, não me ri dos disparates, mas ri-me de satisfação do bom momento desportivo que me proporcionaram no vosso jogo. Recordar é viver.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Aí está a fase final

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


A primeira fase do campeonato nacional chegou ao fim e agora mais que óbvio estão encontradas as equipas que neste momento vão medir forças para chegar mais longe ainda nas suas ambições, a de conquistar o campeonato, a de renovar o titulo alcançado ou aquelas que futuramente desejam deixar a sua marca neste campeonato.

Os favoritos mais que nunca terão de mostrar toda a sua raça, a sua determinação e o quanto desejam ir mais longe, será uma luta que promete, não do tipo do bem contra o mal, mas sim do mais forte contra o mais fraco, do mais ambicioso contra o menos favorito. Ao longo dos anos a história tem sido rica em resultados aos quais menos esperamos e no final e como alguém dizia, apenas só pode existir um vencedor.

Os dados estão lançados, as equipas preparadas e os adeptos prontos para apoiarem os seus favoritos, mas se a luta pelo vencedor/a do campeonato ainda agora está a começar, certamente a luta pelos que vão manter ou descer de divisão também promete ser muito renhida, mas a ver vamos.

Uma coisa é certa, este campeonato reserva grandes surpresas  grandes mistérios e o seu final poderá trazer muitas novidades quanto ás equipas que nele participaram e que ainda tem muito para dar ou não.

Poderia falar quem são os favoritos/as há próxima fase, contudo e por tudo aquilo que se pode ver e assistir neste campeonato a incerteza será sempre a dúvida de todos e por isso, iremos deixar cada um ficar com o seu palpite ao vencedor final ou ás equipas que vão marcar presença na fase seguinte.

Aguardemos então para ver o final desta nova era voleibolistica.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Estatísticas, o que são e para que servem?

domingo, 10 de fevereiro de 2013


Ora muito bem, muito recentemente pediram-me para falar sobre “estatísticas”, sobre o que são, para que servem, quais os seus fundamentos e acima da sua importância num jogo.

Se a memória não me falha, quando começamos por fazer os cursos de treinador, não nos ensinam a fazer estatísticas, se bem me lembro, penso eu que só no segundo nível de treinador é que já nos ensinam algo mais sobre este tema, que ao que parece e por algumas conversas que tive parece desconhecido.

Quantos de nós já não vimos durante um jogo o treinador da nossa equipa ou até de outra, com uma capa na mão e onde a cada jogada do jogo vai apontando algo vezes sem conta. Pois bem, isso que ele aponta são os dados de todos os atletas que estão envolvidos no jogo, é nesse bloco, que cada treinador/a aponta as acções desenroladas por cada atleta em cada set, sejam elas de bloco, defesa, recepção, passe, serviço, enfim, de todas as acções envolventes. 

Ai depois, terminado cada encontro, munido de todas as informações que o treinador/a apontou no caderno, este recolhe as estatísticas referentes de cada atleta, e munido dessa informação, ele sabe quem esteve em que no jogo, quem esteve melhor ou menos bem durante o jogo, e então durante a semana de treinos, saberá quais os aspectos que deverá melhorar a sua formação, seja ela colectiva ou mesmo individualmente.

Durante anos, cada treinador/a desenvolveu a sua forma de recolher dados, a partilha passa de geração para geração, e hoje em dia, o recurso ás novas tecnologias ganha mais forma, os dados são informatizados e até criados programas através do computador, recorrendo ao excel.

Actualmente as estatísticas ganham forma nas altas competições e aliás, a maioria das grandes selecções mundiais recorrem a um programa especifico que foi desenvolvido de tal forma, que a cada jogada, a informação é dada a todo o pormenor.

O programa que falo, é conhecido por “DataVolley”, usado por muitas selecções, inclusive a nossa selecção, e para não falar, que muitos dos nossos clubes dos escalões principais já o usam para minuto a minuto saberem como está a decorrer o jogo. 

Aliás, este programa, a meu ver um dos melhores, faz com que jogada a jogada possamos saber, como corre o nosso jogo e ter uma informação mais detalhada sobre o nosso adversário, descobrindo quem ataca melhor, quem recebe mais, onde estão os pontos fracos e fortes da nossa equipa e também do nosso adversário.

Resumindo, a estatística permite-nos avaliar o desempenho da nossa equipa seja durante o jogo ou até num treino.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Árbitros! Bons ou maus?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Ora bem, a pedido das massas adeptas do voleibol luso, cá fica mais uma crónica da autoria deste vosso amigo, na qual vamos por um pouco do dedo na ferida ou se calhar não.

Esta crónica, não servirá para apontar o dedo a alguém, mas apenas contar na primeira pessoa o que se passou precisamente comigo durante 5 anos, em que fui árbitro e talvez sentirem na pele aquilo por que passam alguns dos actuais árbitros.

Pois bem, recentemente em conversa com alguns colegas e depois de também acompanhar alguns jogos de formação, pois é nestes escalões que as “queixas” aparecem, reparei que existem alguns jovens árbitros que em minha opinião estão “verdes” para arbitrar, muitos deles deixam passar lances faltosos, até dou um pequeno exemplo, duma jovem arbitra  que durante um jogo, deixou que um treinador entrasse dentro de campo diversas vezes num jogo a cinco sets e apenas advertiu o treinador uma única vez, quando em modesta opinião e pela forma que o treinador se comportava, seria punido com cartões.

Mas este é apenas um pequeno exemplo, embora que durante muitos fins de semana, vemos situações destas e até outras mais complicadas, contudo pergunta-se, mas afinal como são preparados estes jovens árbitros?

E passo a explicar por quem já esteve daquele lado, ou como costumo dizer em jeito de brincadeira, “o lado negro da força”.

Quando fui fazer o curso de árbitro estagiário, posso dizer que tive aqueles que considero os melhores na sua área, eles são mais que conhecidos, alguns são elogiados, outros criticados, mas são internacionais e são os melhores.

O curso realiza-se em três fins de semana, onde existe a parte teórica e a parte prática, em minha opinião todos a sabem, contudo a meu ver, depois da formação dada as coisas ai complicam-se, existem os que fazem jogos atrás de jogos e sem qualquer problema, e há o inverso, os que deveriam ter mais acompanhamento. 

O facto disto tudo, é que muitos destes árbitros estagiários são quase que atirados aos leões, a arbitrarem entre quatro, cinco e seis jogos durante um fim de semana e em diversos escalões diferentes, e por muito que queiram estar atentos a todos os pormenores do jogo, existem sempre aqueles que lhes escapam e aos quais por vezes são os mais claros e que nos chamam logo a atenção.

Como referi, passei por estas situações e sei como é complicado, e o mais fácil é criticar e apontar o dedo, e meus caros, também gosto de apontar o dedo, mas também sei ver quando alguém é bom ou não naquilo que faz.

Contudo existe um mal maior que estes jovens árbitros sentem, é o abandono, não pelos seus pares, pois esses apoiam sempre, mas sim por quem de certa forma deveria acarinhar e incentivar a sua evolução, que deveriam ser as associações e a federação, o que não o fazem.

São atirados aos lobos, deixam a época correr e depois no final, as queixas passam ao lado, os jovens árbitros apercebem-se que não nasceram para aquilo e desistem, e aqueles que são bons, continuam a tentarem serem melhores e a evoluírem, ao que eu chamo de predestinados.

Ainda existem aqueles que sedentos de mais sabedoria desportiva, optam pelos dois lados, são treinadores e árbitros ao mesmo tempo, e que acontece(?), simples, as associações sabendo disto e para irritarem algumas hostes, colocam esses sedentos a arbitrarem jogos precisamente nos clubes que representam, e aqui começam os problemas para a desistência de muitos árbitros e com valor para evoluírem nesta categoria.,...  por muito que custe acreditar é o que acontece!

E dou o meu caso, era eu árbitro e treinador num clube, ora acontecia muitas das vezes que as pessoas sabendo disto diziam logo, “és da casa, só vês para um lado”, enfim piadinhas destas são constantes, o pior é quando sabendo que somos treinadores num clube, ainda têm a lata de nos colocarem a arbitrar precisamente o jogo no escalão que estamos a treinar, e meus caros, citaria muitos nomes de muitos ex-árbitros que sentiram na pele situações iguais. E o que fazemos(?), muito simples,... protestamos, falamos, mas quando nos continuam colocar na mesma situação,  meus caros só resta uma solução, desistir!

Eu pessoalmente cheguei ao cúmulo de colocar baixas para não arbitrar, baixas não do tipo que metemos quando ficamos doentes, mas do género, que por motivos profissionais não podia continuar a arbitrar, mas no final e quando chegava a altura de renovar a licença, simplesmente ignorava e nem fazia a inscrição, nem exames e nem nada e quando me perguntavam o porquê, simplesmente dizia a verdade, “renovar para quê(?), para me nomearem a arbitrar jogos do meu clube outra vez?”.

Lembra-me que no meu grupo de árbitros estagiários e que também fariam o curso de regionais, a sua maioria é actualmente árbitro nacional, contudo mais de metade deles deixaram de arbitrar, alguns pelos motivos que aleguei e outros pelo cansaço de levarem com deslocações difíceis e que por motivos profissionais acabam por ser bem complicados assimilar emprego e arbitragem.

Mas sabendo agora de tudo isto, de quem é a culpa?

A culpa é simplesmente nossa, porque acreditamos que podemos fazer a diferença, porque acreditamos nas pessoas, nas associações e acreditamos que podemos evoluir ainda mais, mas o certo é que simplesmente alguns é que estão predestinados a voarem longe, a subirem o patamar maior da arbitragem e a estarem presentes nos grandes eventos, a esses dou-lhes o elogio de manterem vivos os seus sonhos, de lutarem face ás dificuldades e de conseguirem realizar os seus sonhos, porque simplesmente resolveram fazer uma opção, serem simplesmente árbitros de voleibol.

Por isso apenas dou uma sugestão, tentem fazer o curso, arbitrem e se estiver enganado no que referi, as minhas desculpas.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: As novas e as velhas gerações de treinadores

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013



Ultimamente e retirado do sabor de orientar uma equipa de voleibol, eis que dou por mim numa espécie de treinador de bancada, e como alguém me disse uma vez, “por vezes vemos coisas da bancada que nos passariam ao lado se estivéssemos no terreno de jogo” e uma coisa é certa, quem o disse sabia bem do que falava.

Como referi, vemos coisas que realmente nos passam completamente ao lado, sejam aspectos dos atletas, dos árbitros e do jogo em si, eu neste caso comecei há algum tempo em reparar as novas gerações de treinadores e eis que me dou aqui a fazer comparações dos treinadores mais antigos e da “miudagem” que aparece por ai, de certa forma “armados” em bons.

Não que me considere um treinador dos ditos “velhotes”, mas com 41 anos ainda sou um jovem e estou num misto de velhas e novas gerações de treinadores e como tal, depois de vários anos a ver trabalhar os grandes mestres de elite, eis que olhando actualmente esta nova miudagem armada em “mourinhos” do voleibol a quererem ocupar lugares que demoramos anos e anos a conquistar e a ganhar.

Estes novos talentos por assim dizer, chegam sedentos de vitórias, de conquistas e com metodologias de treino que surpreendem a quem os vê e os observa diariamente.

O facto, é que uma modalidade como o voleibol evolui, e são os mais novos que como referi, mais sedentos, conseguem mudar um pouco as modas que a modalidade transmite.

Comparando um pouco com a altura em que comecei, recorda-me no meu caso e de muitos outros treinadores, o facto de que para adquirirmos a vídeos, estatísticas e outras coisas mais, tínhamos de meter um pouco do nosso cunho pessoal e ainda assim, lembra-me muito bem, de alguns treinadores com a possibilidade de terem o “datavolley” e ainda assim, aquele bloco de apontamentos para alguns, mas de estatísticas para nós é que vai ditando ainda assim aquilo que nós achamos que se passava para nós durante o jogo.

Actualmente os mais novos não querem saber de estatísticas, de apontamentos, de vídeos ou do que quer que seja, isso apenas serve para os treinadores de escalões seniores, na formação eles/as não precisam disso, chegam aos jogos e simplesmente a leitura é a mesma de sempre, corrigem, gritam, dão ordens, tomam posições, e eles, os atletas apenas obedecem, e no final escutam, se correu bem, parabéns, eles são os maiores, se correu mal, eles nada dizem ou se dizem, nem os ouvimos.

As tecnologias só servem para os seniores, dizem eles. Com eles a nova ordem é, treinar, treinar e treinar, os erros aparecem e corrigem-se durante os treinos, durante os jogos e isso ninguém lhes tira o mérito.

Estranho, em vê-los nos jogos sem apontamentos, sem blocos, sem nada, coisa que a geração mais velha fazia, analisava e corrigia. Eu pelo menos fazia-o, pois não só servia para ver o que realmente se passou, mas também para poder analisar melhor e mostrar, e no final poder corrigir os erros.

Os novos artistas, apenas estão lá com grandes sonhos, grandes ideias e grandes objectivos, de vitórias, de conquistas e altos voos.

E quanto aos mais velhos, apenas continuar com o trabalho de anos, de entrega total ao treino, aos métodos novos, velhos e manter duma maneira ou de outra o seu lugar na modalidade do coração.

Vida difícil ou fácil? Só saberá quem o sente diariamente.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: Investimento dum treinador de voleibol

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Estava eu sentado no meu humilde sofá quando veio há memória algo que me faz pensar e, se calhar, também a outros que tal como eu fazem da nossa adorada modalidade um enorme investimento.

Por tal, puxem um pouco da vossa memória e acompanhem o raciocínio deste vosso colega. É sabido que os tempos são duros, crise nisto, crise naquilo e ainda mais, poucos são os clubes que em Portugal pagam o que realmente merecemos, mas contudo, quem investe em quem?

Em minha opinião somos nós mesmos. E porque, simples, investimos na nossa formação enquanto treinadores, pagamos as nossas formações e de nível para nível de treinador, mais caro fica esse investimento e muitas das vezes nem temos grande espaço de manobra para actuar numa equipa do escalão principal, mas ainda assim continuamos a fazer esse investimento.

Por vezes actuamos nos escalões mais jovens e em alguns clubes, existe pouco material para podermos orientar os mais novos e no entanto lá vamos nós puxar do fundo de investimento por assim dizer e lá compramos um computador portátil, onde fazemos programas em excel para fazer estatísticas dos nossos atletas enquanto jogam; criamos ficheiros sobre os programas de treino de cada; e uma série infinita de coisas, além disso, lá vamos à carteira e compramos uma câmara de filmar, um tripé e de preferência a dita câmara deve dar para podermos gravar directamente para o computador para mais tarde podermos analisar melhor os lances dos jogos ou dos treinos e podermos identifica-los a nós e também aos atletas. 

Um investimento que sai do nosso bolso, porque verdade verdadeira, esse investimento não sai dos clubes.

Mas esta história do investimento não termina aqui, se é verdade que a maioria dos clubes com formação não paga ou demora a pagar, também é certo que muitas das vezes parte das “corridas” que fazemos em cada jogo, sai do nosso bolso, ou por outros termos, quando nos deslocamos do clube para o pavilhão do nosso adversário, o dinheiro para gasolina/gasóleo sai do nosso bolso, sem falar de que vamos sempre com alguns atletas na boleia.

Mas isto ainda melhora, imaginemos que como eu, resolvemos apostar no voleibol de praia, lá sacamos uma vez mais da carteira e são as bolas, são as redes, o material que por vezes compramos para outro tipo de exercícios e este meus caros, sai verdadeiramente do nosso bolso.

Por tal, faço novamente a pergunta. Porque investimos nós nesta modalidade?

É certo que o voleibol não é como o futebol, em que o investimento dum treinador nesta área, numa época normal, consegue recuperar e lucrar num instante, enquanto que por sua vez, muitos são os treinadores/as que demoram épocas inteiras para conseguirem recuperar o investimento. 

Mas então porque o fazemos? ... Simplesmente porque amamos o que fazemos, porque gostamos de ver no futuro os nossos jovens atletas chegarem perto de nós e dizerem-nos, “obrigado prof por ter investido na minha educação e cultura desportiva”, e porque sabemos que no final as vitórias e conquistas que eles/as tem, são as nossas medalhas de ouro, prata e bronze. Porque sabemos que parte deste investimento tem consequências para sempre na nossa vida e por muito que digamos que não voltaríamos a fazê lo, certo é que o faríamos vezes sem conta.


Joaquim Teixeira
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VOLEI FALADO: E porque não fazer como o Brasil?

domingo, 20 de janeiro de 2013



A crónica que se segue veio sobre uma notícia que no nosso país irmão já deu para entornar o caldo ou por outras palavras, já está dando polémica.

O actual presidente da FIVB e também da CBV, Ary Graça, tornou público a ideia de contratar um treinador do tipo seleccionador e juntamente com outros treinadores trabalhar com os melhores atletas, formando até mesmo novas parcerias, ainda segundo o próprio Ary Graça, a própria CBV seria a gestora e a principal responsável pelos treinos, deslocações e gestão de toda a infra-estrutura englobada neste projecto.
Pois a seu ver, nestas condições, seriam preparadas as melhores duplas para as Olimpíadas que se realizarão em 2016 precisamente no Brasil.

Modestia à parte, e se a moda pega? Em minha opinião vejo com bons olhos esta ideia, pois faria com que as duplas mundiais tivessem maiores ambições e tornaria a competição mais forte. Contudo o facto de ser a própria CBV a escolher os treinadores para os atletas, pode gerar alguma contestação, mas também é certo e sabido, que os actuais treinadores das duplas brasileiras são do melhor que pode haver, sendo que também ai o bom senso pode tirar partido de todas as partes englobadas no processo.

Agora imaginemos que por cá, neste país há beira mar plantado, esta moda pega.

De facto, era ouro sobre azul, e as desconfianças sobre os gastos de dinheiro por parte da federação, não fariam sentido e então aqui saberíamos onde estavam eles a serem gastos.

Certo é que deveríamos seguir o exemplo, juntar os melhores, treinadores, atletas e juntos lutar por algo, por um objectivo e também marcar presença nos próximos jogos olímpicos.

Que seja a própria federação, tal como acontece em outras federações a arcar com as despesas e apostar num projecto de praia com as nossas duplas, porque se a mesma federação arca com despesas de deslocações para poules europeias, fases apuramentos das selecções nacionais, certamente não ficaria mais caro enviar duplas para prestarem provas no circuito mundial e europeu, pois só desta forma, com uma participação activa conseguiremos alcançar os objectivos.

O certo, é que nos últimos anos as nossas prestações no voleibol de praia tem sido completamente nulas, contudo a presença de algumas duplas em provas do satélite, demonstram que a qualidade existe, que apenas falta a aposta e o acreditar nos potenciais de cada atleta ou dupla.

Apenas bastará que a federação lance o próximo passo, pois só assim voltaremos a voar mais alto. Que o exemplo brasileiro faça efeitos por cá.



Joaquim Teixeira, Volei Falado
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VOLEI FALADO: O grande Palco de Emoções

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


Reza a história de Portugal, que existem cidades neste nosso país à beira mar plantado que em cada cidade existe algo histórico que a descreve, são factos, batalhas, momentos que marcaram a sua vida.

Confesso que sou um apaixonado pela história, seja ela do que for, história duma vida, dum lugar, dum prato tradicional, enfim, seja do que for, aliás tudo tem uma história, até o desporto assim tem. 

Como já devem ter-se apercebido pela foto abaixo, eis uma magnifica vista da Praia da Baía, em Espinho, a quando da realização dum world tour.

Durante anos, considerei esta praia o Palco das Emoções e porque era fantástico o ambiente que se vivia durante a realização dos world tours naquela cidade e naquela praia. Tudo em si tinha algo que dificilmente conseguirei descrever, as emoções eram fantásticas, era incrível ver os melhores a marcarem presença naquele lugar, os nossos ídolos estavam cá, e gerações de gerações atrás deles para um momento único, fosse uma palavra, um gesto, uma lembrança, uma foto ou até mesmo um autografo.

Felizmente tive o prazer de acompanhar todos os eventos lá realizados, de filmar alguns jogos, de fotografar, de conviver com os chamados atletas e treinadores de elite. Recorda-me acompanhar já algumas duplas portuguesas, recordo-me dos dias bons, dos dias de chuva, de vento e de frio, em que estava na bancada a assistir aquele jogo que para muitos era mais um, mas que para mim era mais um em que aprendia algo mais. 

Lembra-me de algo que nunca esquecerei, um jogo que eu e o prof Fidalgo estávamos a assistir, debaixo dum sol abrasador e a dada altura o prof comentou comigo:
"Já viste Teixas, eu e tu aqui, e atrás de nós vê só a quantidade de tipos que estes gaijos trazem."
E de facto era impressionante, poucos treinadores portugueses na bancada e os brasileiros, americanos, alemães e mais alguns, vinham com 3 e 4 treinadores a acompanhar. Mas nós não ficávamos tristes, não senhor, estávamos ali com orgulho da nossa gente e fosse qual fosse o resultado, o certo é que sabíamos ter o dever cumprido.

Hoje, lembra-me as gerações mais novas que naquele tempo iam para ali fazerem de tudo, uns que iniciavam como atletas nos mais diversos clubes, e que nestas alturas iam ali servir um pouco de tudo, desde apanha bolas, darem bebidas aos atletas, ajudarem em tudo e mais alguma, e faziam-no com um sorriso no rosto, sabendo que aquela semana seria memorável nas suas vidas, e que quando terminasse, teriam algo para contar, uma lembrança, uma história e momentos vividos. Ali cresceram muitos atletas, ídolos das novas gerações. Naquele lugar viveram-se grandes encontros, grandes feitos, grandes memórias ás quais nunca serão esquecidas.

Perdi as vezes em que ia para Espinho de comboio, bem cedinho e apenas me vinha embora já no final de cada encontro, cansado, mas satisfeito. Foram inúmeras vezes em que o meu almoço era passado naquele fabuloso café, o Esquimó, saboreando muitas vezes os famosos grofes daquele lugar, outra vezes na companhia de alguns atletas mas com um olhar em alguém ou algo que se passava em volta.

Foram momentos únicos, momentos vividos e revividos vezes sem conta, mas que infelizmente a nova realidade é diferente.

Para mim, aquele lugar, aquela cidade e aquela praia serão sempre o Palco das Emoções, e acreditem, foram muitas.


Joaquim Teixeira
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VOLEI FALADO: A dupla sem sucessão

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Os anos passam e por muito que esperemos algo diferente as comparações são sempre inevitáveis, e quando assim são, então a saudade aumenta e também com ela as recordações.

Se anteriormente tinha falado daqueles que foram a melhor dupla masculina lusa de sempre, então e quem seria a melhor dupla feminina de sempre?

Simples e com a resposta mais que pronta, Maria José Schuller e Cristina Pereira.

E venham os entendidos, especialistas e os demais dizerem o contrário, pois o certo, é que o currículo destas duas senhoras falam por si, e apenas bastaria só duas coisas, são a dupla com mais presenças em provas do world tour e também a única dupla feminina portuguesa a estarem presentes nos jogos olímpicos, mais precisamente em Sydney 2000.

A nossa memória por vezes tem tendências em pregar-nos algumas partidas, mas estas duas senhoras estão e estarão presentes para todo o sempre na minha lembrança.

Recordo como ainda fosse hoje, estas duas magnificas atletas a treinarem na sua cidade natal, o Porto, e nos areais da praia de Matosinhos faziam as delicias de quem via estas duas a treinarem. Foram vezes sem conta que aqui e ali, fazia de apanha bolas para que o treino delas fosse mais intenso, foram as vezes em que a via em torneios a espiar, a murmurar e a combinarem como enfrentariam aquelas adversárias para o seu jogo seguinte.

Os tempos foram magníficos e revendo a nossa memória, muito dificilmente outra dupla igual aparecerá. Elas completavam-se uma há outra, e certamente muitos que ao lerem esta crónica certamente se recordarão dos seus feitos, dos títulos alcançados, dos pontos mais sofridos e dos jogos mais renhidos e com certeza se lembrarão os pontos fortes e fracos de cada uma, mas a meu ver, elas eram ambas muito fortes, pois numa dupla competitiva cada uma protege os erros de cada uma, e nisso elas eram fantásticas.


Muitos que conviveram com elas se lembrarão de muitas lembranças delas, eu pessoalmente recorda-me várias, contudo partilharei duas.

A primeira, foi a oferta dum top ou singlet da sua última prova antes de participarem nos jogos olímpicos, na qual lhes desejei a maior sorte do mundo para esses jogos. 

A outra recordação foi numa prova de circuito mundial em que elas participaram e que na altura estava lá a assistir a esse evento, elas reconhecendo-me, vieram pedir-me se poderia filmar um jogo duma dupla contra quem elas iam jogar ou poderiam vir a jogar, eu simplesmente disse-lhes que sim, que gravaria e depois mostrava-lhes o vídeo desse jogo. 
Recordo-me na altura, no momento em que filmava o dito jogo, que chovia bem, mas nem assim serviu de desculpa, e elas num acto fantástico, estavam ali há minha beira a verem e a agradecer-me o gesto que lhes tinha feito. Lembra-me na altura sentir-me como se fosse o treinador delas, e decorridos alguns pontos e como a chuva não parava, ter-lhes dito para irem descansar e sair daquela chuva, que mal terminasse o jogo, eu levaria o vídeo até elas.

O facto é que os anos passam, e por muitas duplas que apareçam, dificilmente conseguirão chegar ao alcance que elas conseguiram.

Infelizmente a Cristina já nos deixou, mas a sua memória já mais será esquecida.

Cristina e Maria José, simplesmente as melhores no que fizeram, e certamente a sua sucessão no que respeita a provas mundiais não terá outra igual.


Joaquim Teixeira
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VOLEI FALADO: A dupla maravilha

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Por muito que queiramos que algumas coisas fiquem marcadas no presente o facto é que o tempo passa e por vezes passa-nos a correr e em alta velocidade sem que nos apercebemos.

Parece que foi ontem, que os via nos areais das praias de Espinho, aqueles dois rapazolas todos bronzeados a fazerem aquilo que mais gostavam, treinar, competir e acima de tudo a divertirem-se perante multidões que naquela altura nem sabiam porque andavam aqueles dois a fazerem.

Certamente já deu para perceber que falo dessa dupla sensação, incrível e fenomenal que foi os espinhenses Miguel Maia e João Brenha.

De facto os anos passam, as memorias e recordações começam a ser mais lúcidas e damos conta de como tudo se passou passados anos e anos, acompanhamos as suas proezas, as suas conquistas, os seus feitos, os seus méritos e passo a passo toda a sua carreira passa-nos há frente dos olhos.

Não sei ao certo quando começaram, mas lembra-me que pessoalmente comecei a acompanha-los em 1994, anos antes de eles participarem nos seus primeiros jogos olímpicos, aliás foi em 1996 que o voleibol de praia se tornara modalidade olímpica.

De facto, recorda-me como se fosse hoje, eles a treinar, juntamente com esse grande nome do voleibol, prof Francisco Fidalgo e nesse tempo a alegria e a inocência (por assim dizer) faziam a delicia de muitos e fieis admiradores desta dupla.

Como era uma alegria estar ali a vê-los, a torcer, a ouvir as suas palavras de motivação, a troca de ideias e de melhoria de jogo, mas melhor era vê-los em competição, onde de ano para ano, aquele entendimento que eles tinham era fantástico, quem os via dizia logo, “já está feito, venham os próximos…”, e de facto assim eram. A nível interno diria mesmo que eram imbatíveis, somaram recordes, conquistas e prémios uns atrás dos outros e não havia quem os conseguisse igualar. Por vezes muitas duplas pediam (no bom sentido) para que eles não aparecessem nos torneios, pois em caso contrário os comentários eram o Maia e o Brenha vão jogar com quem na final.

Oh saudade, oh tempo, porque passas tu tão rápido?!

A meu ver a melhor dupla de sempre, aquela com mais participações em circuitos mundiais, em jogos olímpicos, em campeonatos nacionais e a memória aqui começa a desaparecer pois as suas conquistas foram tantas que até eu duvido que eles a saibam de cor quantas foram no total.

Certamente tiveram momentos bons, momentos maus, momentos de alegria, de dor, de tristeza, de conquista e momentos que marcaram gerações e gerações de adeptos, de admiradores, de fãs e de amigos.
As novas gerações certamente não se lembrarão, mas as mais antigas, do meu tempo e do deles, certamente se recordarão das horas de espera a quando dos jogos olímpicos de Atlanta e de Sydney, quando estiveram quase, mas quase perto das medalhas, as pessoas foram aquele aeroporto esperar por eles, para os felicitar, os motivar e incentivar a irem sempre mais longe, porque mesmo sem a conquista duma medalha olímpica, eles foram os heróis duma nação, duma família e duma modalidade.

Os dois eram gigantes, na forma como se aplicavam, como jogavam e se entendiam, personalidades diferentes uma da outra, mas dentro da “quadra” eram fantásticos. O João, sempre irrepreensível no bloco, enquanto que o grande baixinho, o Miguel era aquela máquina, a defender e fantástico a salvar aquela bola em que muitos já a viam a cair na areia.

Realmente os anos passam, agora apenas os vemos a ensinar os mais novos e certamente os anos vão passar e não veremos outra dupla assim.

Aos dois apenas lhes posso dizer, OBRIGADO.

Obrigado por tudo que conquistaram, obrigado por serem parte da minha paixão pela modalidade e por fazerem parte da minha geração. A vocês os votos de que tudo continue a ser formidável ao longo de muitos anos e que os mais novos se motivem com tudo aquilo que conseguiram e que muito orgulho deu.


Joaquim Teixeira
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VOLEI FALADO: Ícone da Arbitragem Portuguesa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Parece que o tempo voa e até podia dizer que já tinha falado neles no ano passado e por acaso até falei, contudo hoje volto a falar neles, mas em especial num, que para mim, foi e será sempre um dos melhores árbitros portugueses e provavelmente o melhor a nível europeu e mundial, se fosse careca diria que era o Colina do voleibol, falo claro desse grande senhor, Arnaldo Rocha.

Conheci-o há muitos anos atrás, quando poucos mas bons andavam nas praias e não só a aplicar as regras do voleibol, aliás uma das minhas memórias deste grande senhor foi durante um jogo na praia em que no final, sentindo-me injustiçado com a arbitragem do árbitro daquele jogo, fui ter com ele e disse-lhe:
-Arnaldo, viste aquilo? Achas que ele esteve bem?
E ele com aquele seu sorriso de sempre apenas me respondeu:
-Se achas que ele esteve mal, então porque não fazes tu melhor.
De facto, de forma indirecta recebi um convite para fazer um curso de árbitro. O que acabei por o fazer.

Para muitos, este é o melhor e talvez daqueles “personagens” que nos deixa saudades. Pela sua maneira de ser, pela forma como estava dentro do jogo e na forma com que ditava as regras claras e esclarecedoras. 

Raramente eram aqueles que lhe perguntavam ou contestavam os seus modos ao arbitrar, o facto é que muitos chegavam ao ponto de dizerem mal o viam, de que com ele estaria o jogo em boas mãos.

Muitos são os que o tem como referencia, outros tentam imitá-lo, mas por muito que se queira, o Arnaldo era ele mesmo, único, responsável, amigo e acima de tudo confiante no seu trabalho. Ele era o expoente máximo da arbitragem em Portugal.

A ele apenas desejar uma boa aposentação do que toca a arbitragem, mas que continue a motivar, a formar árbitros, pois nisso ele continua a ser o melhor e eles andam por ai a aprender.

Onde quer que estejas meu caro amigo, dedico-te esta crónica.

Sempre presente no passado, no presente e no futuro.


Joaquim Teixeira
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