VOLEI FALADO: As novas e as velhas gerações de treinadores

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

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Ultimamente e retirado do sabor de orientar uma equipa de voleibol, eis que dou por mim numa espécie de treinador de bancada, e como alguém me disse uma vez, “por vezes vemos coisas da bancada que nos passariam ao lado se estivéssemos no terreno de jogo” e uma coisa é certa, quem o disse sabia bem do que falava.

Como referi, vemos coisas que realmente nos passam completamente ao lado, sejam aspectos dos atletas, dos árbitros e do jogo em si, eu neste caso comecei há algum tempo em reparar as novas gerações de treinadores e eis que me dou aqui a fazer comparações dos treinadores mais antigos e da “miudagem” que aparece por ai, de certa forma “armados” em bons.

Não que me considere um treinador dos ditos “velhotes”, mas com 41 anos ainda sou um jovem e estou num misto de velhas e novas gerações de treinadores e como tal, depois de vários anos a ver trabalhar os grandes mestres de elite, eis que olhando actualmente esta nova miudagem armada em “mourinhos” do voleibol a quererem ocupar lugares que demoramos anos e anos a conquistar e a ganhar.

Estes novos talentos por assim dizer, chegam sedentos de vitórias, de conquistas e com metodologias de treino que surpreendem a quem os vê e os observa diariamente.

O facto, é que uma modalidade como o voleibol evolui, e são os mais novos que como referi, mais sedentos, conseguem mudar um pouco as modas que a modalidade transmite.

Comparando um pouco com a altura em que comecei, recorda-me no meu caso e de muitos outros treinadores, o facto de que para adquirirmos a vídeos, estatísticas e outras coisas mais, tínhamos de meter um pouco do nosso cunho pessoal e ainda assim, lembra-me muito bem, de alguns treinadores com a possibilidade de terem o “datavolley” e ainda assim, aquele bloco de apontamentos para alguns, mas de estatísticas para nós é que vai ditando ainda assim aquilo que nós achamos que se passava para nós durante o jogo.

Actualmente os mais novos não querem saber de estatísticas, de apontamentos, de vídeos ou do que quer que seja, isso apenas serve para os treinadores de escalões seniores, na formação eles/as não precisam disso, chegam aos jogos e simplesmente a leitura é a mesma de sempre, corrigem, gritam, dão ordens, tomam posições, e eles, os atletas apenas obedecem, e no final escutam, se correu bem, parabéns, eles são os maiores, se correu mal, eles nada dizem ou se dizem, nem os ouvimos.

As tecnologias só servem para os seniores, dizem eles. Com eles a nova ordem é, treinar, treinar e treinar, os erros aparecem e corrigem-se durante os treinos, durante os jogos e isso ninguém lhes tira o mérito.

Estranho, em vê-los nos jogos sem apontamentos, sem blocos, sem nada, coisa que a geração mais velha fazia, analisava e corrigia. Eu pelo menos fazia-o, pois não só servia para ver o que realmente se passou, mas também para poder analisar melhor e mostrar, e no final poder corrigir os erros.

Os novos artistas, apenas estão lá com grandes sonhos, grandes ideias e grandes objectivos, de vitórias, de conquistas e altos voos.

E quanto aos mais velhos, apenas continuar com o trabalho de anos, de entrega total ao treino, aos métodos novos, velhos e manter duma maneira ou de outra o seu lugar na modalidade do coração.

Vida difícil ou fácil? Só saberá quem o sente diariamente.


Joaquim Teixeira, Volei Falado
maisvoleibol 2013


2 comentários:

Unknown disse...

Bom dia
Apesar de ir já no 4º ano como treinador, considero-me um principiante e um aprendiz de feiticeiro, fui jogador durante 18 anos, e não quero dizer com isto que poderei ser alguma vez um bom treinador, costumo dizer que nem sempre um bom jogador é um bom treinador.
Como disse anteriormente gosto de ler os seus artigos, e se me permite gosto também de fazer comentários, e nem sempre posso estar totalmente de acordo, com o que escreve.
Por alguns dos seus artigos percebo que segue mais o voleibol masculino, do que o feminino?
Nos últimos dois anos tenho seguido com interesse o voleibol feminino, mais nos escalões de iniciados cadetes e juvenis, e o que tenho observado difere do que escreveu.
Vejo muitos treinadores com os blocos e quando estes não os têm , sempre alguém está seja no banco ou na bancada a tirar apontamentos, por vezes delegam essa tarefa em jogadoras.
Vejo também outros treinadores a irem sempre que podem observar os jogos das equipas adversárias.
Neste lote de treinadores estão muitos dos novos treinadores que o Joaquim fala.
O que preocupa é o que cada um faz com esta observação, serão apenas números ou servem para melhorar algo.
Gostaria de deixar aqui um tema que teria todo o gosto em saber a sua opinião.

O que é a estatística e para que serve?

Unknown disse...

Meu caro, sei que muitos treinadores usam camaras pra filmar e até fazem estatística de jogo, ora acontece que nestes dois últimos fins de semana, acompanhei 7 jogos de formação, sendo 5 de feminino e 2 de masculino, e nesses jogos que assisti verifiquei que nenhum dos treinadores filmava ou fazia estatística de jogo, e sendo eles jovens treinadores. Não digo que não saibam, mas diria que apenas uma minoria o faz. Quanto há sua sugestão, aceito sim e falarei sobre a estatística e a sua importância.

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