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MOÇAMBIQUE: Entrevista a Khalid Cassam, o novo presidente da Federação Moçambicana de Voleibol

sexta-feira, 1 de março de 2013

Khalid Cassam é o novo presidente da Federação Moçambicana de Voleibol (FMV), sucedendo no cargo ao seu oponente na corrida eleitoral, Camilo Antão. Trinta e três anos depois, tempo em que durou a gestão de Antão, esta modalidade pode conhecer novos projectos, novas caras e, acima de tudo, uma nova visão. Nesta edição, o @Verdade conversa com Khalid, para entender o motivo que o levou a enfrentar Camilo Antão, bem como conhecer os principais pontos do seu projecto governativo para os próximos quatro anos.
 
Quem é Khalid Cassam?
Sou um cidadão moçambicano de 45 anos de idade, natural de Nampula. Sou casado e pai de três filhas, agrónomo de profissão e funcionário da Organização das Nações Unidas para a Agricultura. Na arena desportiva sou um eterno amante do voleibol e atleta desde o longínquo ano de 1983. Entrei pela porta do Desportivo de Maputo por influência de um tio para, três anos mais depois, jogar pela primeira vez na selecção nacional júnior. Em 1998, com o desaparecimento físico de Jeremias Como, fui obrigado a assumir a função de treinador principal da equipa da Académica e, ainda assim, não deixei de ser atleta.
 
Quando é que começou a interessar-se pela gestão desportiva? 
Em 2000 quando fui convidado a assumir a função de secretário-geral da Associação de Voleibol da Cidade de Maputo (AVCM) para, quatro anos mais tarde, ser eleito presidente da mesma. Fui reeleito para o cargo em 2008 mas, devido a problemas internos, renunciei uma vez que Khalid era, naquela ocasião, um problema.
 
Que problema?
Contestava-se o facto de continuar como jogador e treinador da Académica, uma equipa filiada à associação. Então, todos, refiro-me às equipas, começaram a associar o elenco da federação ao clube Académica. Foi legítima a contestação e porque o voleibol ainda me corria nas veias, preferi abandonar o cargo como forma, também, de dar espaço a novas ideias.
 
E nestes seis anos como presidente da AVCM, quais foram as suas grandes obras?
Fiz muita coisa boa. Tenho a destacar a criação e consequente aprovação dos estatutos da AVCM, bem como o respectivo reconhecimento jurídico; a implantação do voleibol de sala, que passou a ser praticado em pavilhões cobertos; a prática do voleibol sem interrupção durante um ano, todos os sábados e o número de equipas que aumentou consideravelmente.
Potenciei as equipas da cidade de Maputo que passaram a ser tradicionais nas competições nacionais. Foi uma gestão exemplar, que soube dar à modalidade tudo de que ela precisava. Saí sem dever a ninguém e nenhuma conta falhou durante o período em que assumi o comando.
 
Foi por essa boa gestão na cidade de Maputo que decidiu candidatar-se a presidente da federação?
Eu sou um apaixonado pelo voleibol. Eu vivo esta modalidade na sua plenitude. Um dos momentos mais felizes da minha vida é quando estou dentro da quadra, a jogar voleibol. Gosto também de ver atletas a praticar esta modalidade e isto causa em mim muita alegria. Foi este sentimento, fundamentalmente, que me motivou a apresentar a minha candidatura.
 
É do conhecimento do @Verdade que foi obrigado pelos atletas a apresentar a candidatura. É verdade?
Durante o Campeonato Nacional de Voleibol de Praia, que decorreu no último mês de Janeiro em Maputo, os atletas de todo o país, inclusive o próprio secretário-geral, Pelágio Pascoal, reuniram-se comigo e disseram-me o seguinte: “Temos de mudar este triste cenário do nosso voleibol. Pelo carisma e pela experiência, vemos em ti a única pessoa capaz de enfrentar Camilo Antão”.
 
Na sua óptica, quando se fala de cenário actual, a que se referem exactamente?
É inconcebível, por exemplo, estarmos a trabalhar com bolas que eram usadas há 15, 16 anos; é inaceitável que as associações continuem sem pagar as quotas de filiação à federação e, pior que isso, a agremiação-mãe não dar nenhum tipo de apoio financeiro às associações provinciais, sabendo que estas não dispõem de nenhuma fonte de receita; o voleibol não pode continuar a ser praticado somente na cidade de Maputo e a prioridade não pode ser (somente) o voleibol de praia.
O país só tem dois clubes que praticam o voleibol, nomeadamente a Associação Académica de Maputo e o Ferroviário da Beira. Durante 33 anos não houve estratégia nenhuma para se inverter este cenário. Há falta de campos para a prática desta modalidade e entendo, também, que faltam treinadores qualificados, quer para as competições, quer para a formação.
 
Com isso pretende dizer que faz uma avaliação negativa dos 33 anos de direcção de Camilo Antão?
Numa escala de 1 a 10, eu dou 2 valores à direcção de Camilo Antão. Eu fui e continuo a ser um dos maiores críticos dele enquanto presidente da FMV. Disso todo o mundo sabe. Mas numa análise percebi que ele fez muita coisa para o voleibol moçambicano, senão o mesmo teria parado. Lembro-me com nostalgia da organização dos Jogos Africanos, onde vimos um Camilo Antão a entregar-se ao trabalho. Aliás, a entrega ao trabalho constitui uma característica nata deste dirigente.
 
Mas esse discurso é recente. Objectivamente, onde é que Camilo Antão falhou?
Camilo Antão falhou ao ter promovido o voleibol moçambicano somente na cidade de Maputo. Falhou, também, ao preocupar-se com a projecção internacional, esquecendo-se de que o mesmo depende do que é feito internamente. Até hoje condeno-o pelo facto de a FMV não ter sequer uma sede, enquanto existe um edifício oferecido pelo Governo.
É imperceptível como é que em 33 anos ele não conseguiu formar árbitros nacionais e internacionais, olhando somente para o voleibol de praia. Eu sempre discuti com o professor Camilo Antão o facto de o país não enviar para o exterior atletas com um forte potencial no voleibol, o que lhes podia conferir experiência e qualidade técnicas suficientes para orgulhar o nosso país.
 
Uma das coisas que disse ao apresentar a candidatura foi que “a FMV devia estar nas mãos de pessoas jovens, com mente aberta a mudanças e, acima de tudo, precisa de uma reestruturação profunda”. O que quis dizer com estas palavras?
Quis com isto dizer que o elenco dirigido por Camilo Antão estava cansado e desusado. Quando falei de mente aberta, referia-me a um comando horizontal, que saiba gerir o voleibol de forma colectiva, promovendo a participação de todos os intervenientes na tomada de decisões. É preciso que as pessoas que estejam na federação tenham uma visão a curto, médio e longo prazo.
E a reestruturação é na componente de, primeiro, legalizar-se todas as nossas associações provinciais visto que das oito apenas duas são reconhecidas; segundo, implantar associações em todas as províncias e universalizar os estatutos dos mesmos; terceiro, equipar as províncias com material de trabalho de modo que, a médio prazo, tornemos o voleibol a segunda modalidade prioritária do país.
 
Na sua opinião, o que terá falhado no relacionamento entre a federação e as associações?
As associações foram mal acompanhadas. A federação isolou- se e distanciou-se delas.
 
No que diz respeito a infra- estruturas, prometeu sedes para a federação e para as associações provinciais. De que modo pensa fazer isso?
O Governo ofereceu um edifico à FMV para instalar a sua sede. Nós não faremos mais nada senão correr atrás deste processo, mas para isso precisamos de recuperar o dossier. Sobre as associações provinciais, pretendemos persuadir os governos locais a ceder espaços que sirvam de sedes. Não pretendemos edifícios muito grandes, pois um escritório que possa albergar um secretário-geral é suficiente.
 
Disse que vai pagar a todos os funcionários, quer das associações provinciais, quer da própria federação. Vai conseguir cumprir esta promessa?
Se nós quisermos evoluir, temos de pagar às pessoas. Mas para isso precisamos de pessoas que estejam a trabalhar a tempo inteiro para o voleibol. Os fundos existem, só precisamos de inteligência suficiente.
 
No seu manifesto eleitoral não abordou a construção de campos. O voleibol não precisa deles?
A questão dos campos é muito complexa. Se prometesse construir, estaria num exercício de demagogia para obter votos. Não mencionei este aspecto não por esquecimento, mas sim por cautela. É um dos pontos que pretendo discutir com os meus associados para encontrar uma solução, partindo do pressuposto de que não temos sequer um campo próprio.
 
Mas quando decidiu candidatar-se não vinha com uma ideia acerca disso?
Obviamente que sim. A minha ideia é potenciar os pavilhões existentes nas escolas. A minha vontade é ver o voleibol a ser praticado nas escolas bastando, para isso, criar uma parceria com as entidades competentes. Vou citar um exemplo: se podemos praticar o voleibol na Escola Secundária Francisco Manyanga porque é que a federação não pode reabilitar aquele campo?
 
Quer dizer com isso que o voleibol passará a usar os pavilhões das escolas?
Sem dúvidas. Os campos existem e, considerando que o voleibol é uma modalidade que se pratica regularmente aos fins-de-semana, porque é que não podemos aproveitar?
 
No que diz respeito a competições, apresenta no seu manifesto uma abordagem jamais feita no país: competições a partir dos distritos até ao nível nacional. Pode explicar como serão feitas?
No meu manifesto apresento duas abordagens: os campeonatos e as taças. No que diz respeito aos campeonatos, o sistema será de todos contra todos e vão partir efectivamente dos distritos onde serão apurados os melhores para os campeonatos provinciais, e destes para os regionais. Já nos campeonatos regionais vão ser encontrados os melhores para os campeonatos nacionais.
As taças, que partem também dos distritos, terão um sistema a eliminar, onde a equipa que for a perder ficará automaticamente desqualificada. A nível do distrito será encontrado um vencedor que vai disputar a Taça Provincial. Na província será apurado um vencedor que vai competir na Taça Regional e dela para a Taça de Moçambique. Em suma, queremos que o voleibol esteja nas bases e a ser praticado por todos.
 
Este sistema de competições não vai absorver muito dinheiro para além do próprio tempo, atendendo a que temos no país 128 distritos?
É um desafio. Estamos cientes de que é caro, mas não tão caro como se pode pensar. As associações provinciais têm de ser capazes de trabalhar nesta vertente, até porque é para isso que elas existem. A federação vai dar o seu apoio e todos nós, juntos, movimentaremos esta modalidade.
 
Prometeu acabar com os clubes anónimos...
Não. Não prometi acabar com as equipas anónimas. Apenas disse que é preciso devolver o voleibol aos clubes de renome no país, para que possamos transformar esta modalidade. Ela tem de passar a ser de massas. Para isso, definimos como estratégia pegar nas equipas anónimas e incorporá-las nos clubes grandes que não têm esta modalidade, como, por exemplo o Desportivo de Maputo, o Ferroviário de Maputo ou de Nampula, o Maxaquene, entre outros.
 
E qual será a relação custo-benefício deste projecto?
Nós vamos negociar com os clubes e as equipas que vão ser abrangidas não têm de cobrar nada por este processo de transferência. Elas continuarão a ser auxiliadas pela federação. Contudo, adoptarão os nomes dos respectivos clubes para se dar uma outra imagem ao nosso voleibol.
 
Quais são os projectos de formação para os próximos quatro anos?
O nosso ponto fulcral é formar formadores de atletas e de treinadores. Faltam-nos estes profissionais no país. Mas também queremos formar árbitros e profissionais de estatística, segundo os padrões internacionais da modalidade. Para o efeito, vamos envidar um grande esforço junto dos professores de educação física e amantes do voleibol que queiram transmitir os seus conhecimentos à modalidade. Queremos levar a cabo o mini-volei a partir dos distritos, aproveitando as escolas e as suas infra-estruturas.

Qual é o horizonte no que diz respeito à formação?
Primeiro massificar a modalidade. Queremos, no fim do nosso mandato, ter um mínimo de dois árbitros internacionais e, pelo menos, um treinador formado no nível 2 ou 3 para cada região.
 
Quer revitalizar a selecção nacional. Qual é a estratégia?
Neste momento o que se verifica é que as selecções nacionais comportam apenas atletas da cidade de Maputo. É necessário que os nossos técnicos viajem pelo país e, através dos campeonatos regionais, encontrem atletas capazes de alinhar na selecção. A ideia que trago é criarmos três selecções internas, uma por cada região e dessas sair a selecção nacional.
 
33. 772. 339, 16 meticais é o orçamento global do projecto de quatro anos da sua direcção. Onde é que irá buscar tanto dinheiro, atendendo a que do Governo poderá receber no máximo cinco milhões de meticais?
Nos patrocinadores nacionais e internacionais, bem como nas associações provinciais, através de quotas.
 
Os patrocinadores terão disponibilidade para desembolsar cerca de 28 milhões de meticais? Temos de entender que este é um orçamento global, assente em cinco pilares: despesas com o pessoal, bens, serviços, premiação e imprevistos. Os patrocínios não precisam de ser em dinheiro porque, por exemplo, pode vir um patrocinador a responsabilizar-se pela premiação dos atletas. Quem irá investir não é a federação, mas sim o tal parceiro.
 
E se falharem?
Há sempre um plano B. Se algo estiver a falhar, vamos reunir-nos com as associações provinciais para, com aquilo que temos, redefinir as prioridades.
 
 
Entrevista realizada ao Jornal AVerdade
maisvoleibol 2013
 
 
 
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VOLEI IN MOZ: Khalid Cassam é Novo Presidente da Federação Moçambicana de Voleibol (FMV)

domingo, 17 de fevereiro de 2013



“Depois de mais de 20 anos, Camilo Antão Abandona a Federação Moçambicana de Voleibol por um voto de qualidade.” 

Foi na última Assembleia Geral realizada no pretérito dia 16 de Fevereiro de 2013 (Sábado) no Residencial Kaya Kwanga em Maputo, que se decidiu o futuro da federação após a reprovação integral do Relatório de Contas. 

Num encontro bastante aguardado por todos os voleibolistas do país, apresentava 9 associações provinciais, no entanto somente 8 podia exercer os seus direitos de opinião e de voto por estarem credenciadas, excepto a Província de Maputo que reunia estas condições. Assim, a Federação colocou as diferentes associações a apresentarem os seus relatórios de actividades dos 3 últimos nos, visto que o ciclo da federação era o mesmo pois não realizada assembleias gerais desde princípios de 2010. 

Os diferentes relatórios de actividades apresentavam aspectos em comum na maioria das províncias pois mostravam a inexistência de competições a nível local e a aglomeração de atletas num mesmo clube da província, uma inexistência de alta competição por falta de adversários e prática de voleibol somente a nível escolar. A Cidade de Maputo somente, apresentava cenário diferente, com uma alta rodagem dos atletas e boa prática a nível federado. 

As províncias também eram unânimes na falta de apoio por parte da federação, e exigia um apoio em material, que o presidente até chegou a afirmar existir guardado em sua garagem. 

Posteriormente foi feita a apresentação do relatório de actividades da federação, que mesmo com muitas críticas feitas, foi aprovado com 4 votos a favor, 3 contra e uma abstenção. Começavam a haver fracas expectativas dos convidados acerca das eleições que mais tarde viriam, visto que esperava-se um comportamento similar pelos eleitores que são os presidentes das associações provinciais. 

Posto isso, seguiu-se a apresentação do Relatório de Contas dos 3 anos em análise. Este relatório apresentava pontos bastante críticos, pela sua forma de apresentação como pelo conteúdo. A federação apresentou um quadro para cada ano, com o número de cheque, data e actividade, e não um documento oficial de prestação de contas, constatou-se também que a federação não possuía um tesoureiro ou técnico de contas, pelo que as contas deste ano foram feitas pelo Secretário Geral, disse o Presidente. O relatório não descriminava os diferentes tipos de receitas e englobou o valor na totalidade, facto curioso é que em todos anos, a receita era igual a despesa, isso é a federação esgotava o orçamento na totalidade incluindo as dezenas e unidades. Este facto levantou um questionamento incluindo por parte dos atletas (tiveram direito a palavra) sobre o tipo de despesa, visto que as últimas despesas da Federação eram de actividades programadas para competições e não refeições ou coisas do género que pudesse se usar na totalidade o dinheiro que resta até esse dia. 

Outro facto mais grave verificado é que as actividades eram sequenciadas em datas, porém os números dos respectivos cheques não seguiam sequência lógica, visto que por exemplo, depois de um cheque 32, verificava-se outro de número 100, e depois desse, também não havia um número subsequente, assim sucessivamente, colocando-se a possibilidade de se ter várias contas, que na matemática feita através das contam poderia ser mais de 30 contas bancárias, o que é quase impossível, verificando-se uma omissão de cheques nas contas. Verificou-se também, um número de cheque repetido em actividades de anos diferentes, colocando-se a possibilidade de ter-se feito a enumeração de forma aleatória. 

Questionou-se uma despesa acima de 150.000,00 MT sobre uma viagem a Durban da selecção de volei de praia que confirmou-se por parte dos atletas presentes e do próprio presidente da federação que não existiu. Desta forma, houve uma falsa rubrica nas contas e questionava-se o destino deste valor. A assembleia apresentou muitas outras questões a direcção, mas esta recusou-se a responder e justificou não ter sido ela relatar as contas e essas foram obtidas do Fundo de Promoção Desportiva, facto que não constituía verdade visto que quem fez a gestão foi a própria federação. 

Questionou-se também a possível inexistência do relato de algumas despesas, caso concreto é a despesa da Assembleia Geral de realizada nos princípios de 2010 que era suposto estar relatada nas contas de 2010. Outro facto era porque as despesas não estavam apresentadas de forma clara e especícicada, deixavam um amplo alcance, desrespeitando os princípios orçamentais. 

Maior Questionamento foi ao Conselho Fiscal do porquê de ter aprovado tal relatório e o submetido para Assembleia Geral, este fundamentou dizendo que a direcção disse que a gestão foi feita pala Missão Moçambique e não pela federação, desta forma a federação na verdade nem tinha que prestar contas, facto este bastante protestado visto que a Missão Moçambique alocou fundos a federação e essa é que efectuou as despesas em gestão própria, e que a Missão Moçambique não interferiu por exemplo nas contas de 2012 visto que os Jogos Africanos que estiveram sob gestão da Missão, terminaram em 2011. 

Foi na onda destas distorções todas que o relatório de contas dos 3 anos, não foi aprovado na sua íntegra, todas as associações provinciais votaram contra a aprovação. Mudando deste modo, o rumo das expectativas sobre as eleições. 

Chegava o momento mais esperado do dia, os candidatos teriam que apresentar os respectivos manifestos eleitorais antes da votação, aproveitando-se deste tempo, o candidato Khalid Cassam apresentou um descontentamento pois provou a todos os presentes que a federação terá cometido uma fraude de eleição, visto que esta abriu o envelope do seu manifesto eleitoral, desagrafou as folhas e poderá ter fotocopiado ou copiado alguns pontos deste manifesto para o do Camilo Antão, mas facto que preferiu não seguir. 

Após a apresentação dos manifestos, efectuou-se a votação, onde constatou-se um empate a 4 votos cada, desta forma, a mesa da assembleia sugeriu uma segunda votação, o que não ia de acordo com os estatutos, esses diziam que seria o próprio presidente a efectuar o voto de qualidade . tendo a própria mesa dito que seria difícil porque ele fazia parte de uma das listas ( do Camilo Antão), mas os estatutos assim ditava, deste modo, ficou-se num clima de pressão, onde a mesa toda se reuniu juntamente com o representante da juventude e desportos e finalmente decidiu-se dar seguimento a lista do Sr. Kahlid Cassam, com alguns argumentos que diziam que o voleibol deve desenvolver, dando desse modo o poder nacional do voleibol a este candidato, para os gritos de alegria dos atletas que estavam na sala. 

Temos informações que o foi a opinião do representante da juventude e desportos que ditou a eleição de Khalid Cassam para novo Presidente da Federação Moçambicana de Voleibol. Deste modo, depois de mais de 20 anos, há mudanças no comando do voleibol nacional, e esperam-se os próximos tempos. De referir que o Khalid Cassam, disse depois das eleições o que sempre vinha dizendo antes da sua eleição: “ vamos colocar o Camilo como Presidente Honorário da Federação e continuarmos a trabalhar com ele para usarmos a sua experiência e poder internacional”.


Osvaldo Machava, Volei in Moz
maisvoleibol 2013


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MOÇAMBIQUE: Novo rumo para o Voleibol?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013



A Federação Moçambicana de Voleibol vai reunir-se neste sábado (16) em Maputo, em mais uma sessão ordinária da assembleia-geral. Diferente do que sucedeu ao longo dos três anos passados, dos quais não houve encontro algum, desta vez vai-se discutir e decidir-se sobre o futuro desta modalidade no país. O ponto mais alto será o da eleição do novo corpo directivo daquela agremiação sendo que, Camilo Antão, na presidência daquela federação há mais de vinte anos vai candidatar-se. O @Verdade trás aqui as linhas gerais dos manifestos eleitorais deste dirigente e do seu oponente, o Khalid Cassam.

O futuro do voleibol nacional vai neste sábado às urnas, numa das instâncias turísticas da capital do país, Maputo. António Camilo Antão e Khalid Cassam assumem-se como os dois candidatos à condução dos destinos desta modalidade no país, através da Federação Moçambicana de Voleibol (FMB).

O @Verdade teve acesso aos dois manifestos eleitorais e trás, no presente, as linhas gerais sobre o pensamento dos dois candidatos para o futuro desta modalidade no país.


O actual estágio do voleibol em Moçambique

No entender de Camilo Antão, o vólei no país está num bom caminho no que diz respeito à promoção e à sua massificação, pecando somente na componente do alto rendimento o que, para aquele dirigente, trás uma ideia da não inexistência de profissionalismo na prática desta modalidade. O dedo indicador de Antão aponta para os atletas que, segundo afirma, não levam esta modalidade a sério.

Numa outra abordagem, Camilo Antão fala da falta de infra-estruturas; da falta de técnicos qualificados bem como da inexistência de clubes, como sendo os três elementos que preenchem o calcanhar de Aquiles para o desenvolvimento desta modalidade no país.

Khalid Cassam, por sua vez, limita-se à questão estrutural e directiva do voleibol nacional, acusando, em primeiro lugar, o governo moçambicano de não ter uma acção directa sobre a gestão das federações, uma vez que estas gozam de autonomia administrativa. O candidato entende que há um ligeiro distanciamento entre a federação e as associações provinciais no sentido em que, a primeira, que recebe fundos do Estado e de alguns patrocinadores, nunca os canaliza para as províncias visto que estes não pagam as quotas.

Este cenário, para Khalid, faz com que as províncias remetam-se a uma situação de sobrevivência, dai a razão de somente a cidade de Maputo, que funciona com recursos próprios, conseguir desenvolver o voleibol, organizando, também, torneios regulares.

Neste contexto, Khalid Cassam, mais esclarecedor do que Camilo Antão, assenta o seu manifesto eleitoral em treze problemas, citando alguns deles: falta de campos para a prática do voleibol; reduzido número de praticantes, resultado do fraco trabalho na pesquisa de atletas e de massificação da modalidade no país; falta de acompanhamento dos jogos escolares para a busca de novos talentos; uso inapropriado dos fundos alocados pelo governo à federação; ausência de infra-estruturas quer para a federação quer para as associações provinciais, bem como de recursos humanos para a gestão das mesmas; falta de treinadores qualificados e com formação adequada; ausência total de uma estrutura que contemple árbitros, oficiais de mesa, fiscais de linhas e outros membros necessários para a fiscalização de um jogo de voleibol segundo os padrões internacionais.


Os projectos

Em abono da verdade diga-se que neste aspecto os dois candidatos apuraram-se e mostraram-se conhecedores das reais necessidades desta modalidade desportiva no país, embora tenham cometido, de igual maneira, erros dramáticos. Porque os problemas desta modalidade começam e terminam na falta de infra-estruturas, Camilo Antão concentra-se nas infra-estruturas desportivas, ainda que centradas.

Promete no seu manifesto eleitoral criar no país uma Arena de Voleibol, que englobará os seguintes espaços: ginásio para preparação técnica e táctica; centro de preparação física; centros de prevenção e reabilitação; área administrativa; residências para as equipas técnicas bem como para os atletas.

Khalid, por sua vez, avança que o primeiro passo que se deve dar [quando assumir a presidência] é de se ocupar o edifício oferecido pelo governo para o funcionamento da federação, bem como batalhar para que todas as associações provinciais tenham sedes próprias e recursos humanos remunerados.

Se Camilo Antão não aborda a questão da construção de sedes e infra-estruturas desportivas nível das províncias e nem sequer explica como tornará realizável o seu sonho da construção da Arena, Khalid também não aborda a construção de nenhum campo ou seja, identificou um problema sem solução ainda que para a materialização do seu projecto de sedes espere pela colaboração do governo. Seguindo a lógica dos dois, as províncias continuaram no mesmo marasmo de sempre, entregues à falta de locais para a prática desta modalidade desportiva.

Enquanto Khalid quer legalizar todas as associações provinciais, Antão quer mais aproximação entre a federação e as associações, para que esta modalidade seja praticada em todo o país e nas diferentes especialidades: voleibol de salão, de praia e para os deficientes.

Se o pilar da formação para Khalid Cassam se assenta na formação de formadores de atletas, treinadores e árbitros, criando parceiras com as escolas, para o actual dirigente é preciso formar, estimular e apoiar os árbitros, treinadores e gestores desta modalidade a nível nacional bem como desenvolver um plano estratégico com objectivos de desenvolver o mini-vólei, o voleibol de praia, de sala e sentado também a partir das escolas.

Um dado curioso é no que às competições internas diz respeito. É que enquanto Khalid quer que cada província organize no mínimo duas competições por ano, o Campeonato Provincial e a taça; que cada região organize também um campeonato e uma taça antes de se chegar ao Campeonato Nacional, introduzindo a Taça de Moçambique, Camilo Antão é sintético no seu manifesto: “garantir competições provinciais, Interprovinciais, Subzonais, Zonais e Nacionais.

Se por um lado o actual presidente coloca como marco para os próximos anos vencer o campeonato da Zona VI; vencer o campeonato africano; garantir a presença no Campeonato do Mundo de 2014; vencer o pré-olímpico para chegar aos Jogos Olímpicos de 2016, Khalid quer tornar o voleibol na segunda modalidade desportiva mais praticada no país; participar nos Jogos Olímpicos de 2016; Garantir a internacionalização de no mínimo dois árbitros e treinadores de nível 2 e 3.

Antão não fala em números e Khalid revela que a materialização do seu projecto de quatro anos necessitará de um orçamento de 33.772.399,16 meticais distribuídos entre a despesa com o pessoal, os bens, os serviços e a premiação, valores estes que virão da contribuição do Governo, da institucionalização das quotas das Associações provinciais, dos patrocinadores nacionais e internacionais, de apoios da Federação Internacional de Basquetebol e da Confederação Africana de Voleibol. Aliás, no que toca aos patrocinadores, Camilo Antão diz que quer tornar o voleibol moçambicano num produto de venda.

Há um dado interessante e que chama atenção, no que referente à questão das parcerias internacionais. Os dois candidatos são unânimes em afirmar que para as tornar possível precisaram de contar com a influência de uma figura incontornável do voleibol moçambicano: o Camilo Antão.



Fonte: A Verdade
maisvoleibol 2013


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MOÇAMBIQUE: Antão e Kalid são candidatos nas eleições Federativas

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Camilo Antão e Kalid Cassam são até este momento os concorrentes à presidência da Federação Moçambicana de Voleibol (FMV), cujas eleições estão previstas para o dia 16.

Camilo Antão, actual presidente da FMV, procura ser eleito para o seu terceiro mandato e tem pela frente a forte concorrência de Kalid Cassam, ex-presidente da Associação da modalidade da cidade de Maputo.

Caso seja eleito, Antão propõe-se a fazer uso da sua experiência nos meandros do vólei internacional para desenvolver a modalidade internamente.

Kalid Cassam pretende injectar “sangue novo” massificando e revitalizando a modalidade em todas as províncias e posteriormente aumentar o nível competitivo das selecções nacionais que andam afastadas das grandes competições africanas.



Fonte: Jornal de Noticias
maisvoleibol 2013




Recentes entrevistas dos candidatos

Camilo Antão ao Jornal "A Verdade" 
http://www.verdade.co.mz/desporto/31370-voleibol-em-mocambique-um-desporto-sustentavel-sem-sede-campo-e-profissionalismo

Khalid Cassam ao Jornal "Desafio"
http://www.desafio.co.mz/index.php/destaque/198-khalid-enfrenta-camilo-nas-eleicoes



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VOLEI IN MOZ: O País Está Quente - Eleições na Federação Moçambicana de Voleibol

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

“Eleições na Federação Moçambicana de Voleibol, O Super Homem Pode Cair” 

Uma organização começa a morrer quando os de baixo já não querem e os de cima já não podem” 
(Martin Luther King) 

Alguns ambientes permanecem estáveis de ano para ano. Outros evoluem lentamente e de maneira previsível outros mudam rápido e de maneira imprevisível e violenta. A empresa no entanto, pode ter uma certeza: o mercado vai mudar” 
( Kotler) 

O país está quente, já está público que poderá haver mudanças no comando do voleibol em Moçambique. “O Ditador” Camilo Antão, poderá estar com os dias contados. Na realidade essa já é uma verdade à luz da Lei: “o presidente não é presidente e nem poderá ser mais presidente” 

Camilo Antão se encontra neste momento acima da lei por estar a exercer um cargo que a lei já não lhe confere: acima de dois mandatos estabelecidos por lei. E ainda por candidatar-se para o terceiro mandato, aliás quinto ou sexto porque este senhor toma esta posição já vão mais de 20 anos. 

O que não se sabe porém é se esta candidatura foi ou não aceite pelo comité olímpico de Moçambique, mas que na verdade não devia. Desta forma, se a lei prevalecer, teremos novo presidente na federação. 

Camilo Antão criou e viciou muitas associações provinciais e estas terão que ser forçadas a aceitarem uma nova realidade, os seus subordinados lhe rejeitaram, as figuras do governo também, já os praticantes contam os anos de rejeição na igualdade dos anos da sua existência como presidente. 

A insatisfação pela gestão do Camilo Antão é diária nos atletas, dirigentes e amantes do voleibol. Mais de 20 anos com uma federação sem sede, mais de 20 anos sem nenhuma infra-estrutura de voleibol, mais de 20 anos sem nenhum projecto da federação, mais de 20 anos de auto-subsistência das associações provinciais e clubes, mais de 20 anos de escassez de competições internacionais, mais de 20 anos de falta de transparência na gestão e nas contas da federação, mais de 20 anos sem justificativas racionais do exercício orçamental da federação, em fim, mais de 20 anos de estagnação. 

“Cansamos”, “Abaixa Camilo”, “Rua Sr. Ditador”, são as publicações que circulam entre os murais dos praticantes do voleibol nacional, pedindo justiça e início de uma nova era no voleibol nacional. 

Porém, surge um novo paradigma: e quem vem? Como será? o que esperar? Pois saibam: Khalid Cassam, sim, já o conhecem. Na verdade ninguém mais reunia competências para ocupar este cargo por opinião de muitos voleibolistas mesmo dos que não o consideram bom dirigente, apresentando algumas dúvidas sobre o sucesso desta direcção, mas acreditam que com Camilo fora, algo irá melhorar porque ele atingiu o limite da incompetência. 

Para saber desta nova direcção, só a deixando dirigir. Mas dos candidatos este apresenta o maior apoio popular, porém não se pode confirmar muito a cerca das associações provinciais, se elas ainda estão ou não reféns ao Camilo Antão. É de salientar que serão as associações provinciais a decidir sobre o novo presidente. 

A candidatura do sr. Khalid Cassam já está não mãos do Comité Olímpico de Moçambique e o manifesto eleitoral será publicado aqui no maisvoleibol nos próximos instantes. Agora é só esperar saber o que se diz que virá e esperar viver a nova realidade. 


Osvaldo Macvava, Volei In Moz
maisvoleibol 2013


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