Volei Falado: O Vazio na Hora do Adeus

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

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Sinto o fim a chegar, não é o fim do mundo, pois esse o homem vai tratando dele lentamente, não é o fim da vida, pois a minha como costumo dizer, a minha ainda agora começou, o fim que falo é o de uma geração, duma história e principalmente de uma vida dedicada a uma modalidade que adorei, apaixonei-me, amei e dediquei mais de metade da minha vida.

Agora que o fim tá a chegar, olho para trás e lembro-me de tudo, de como comecei, de momentos bons e maus, de pessoas com quem convivi anos a fio, de gerações novas e velhas, de atletas fantásticos, de eventos marcantes e aos quais ficarão gravados naquele espaço fantástico que temos em nós que chamamos de memória.

Relembro quando tudo começou e foi em 1994, e desde então evolui, aprendi e nunca esquecerei. Comecei devagar, se calhar devagarinho mesmo, onde via, acompanhava e duma maneira documentava aquilo que me agradava mais, porque a vida ensina-nos a aprender e nunca esquecer, embora que muitas das vezes acabamos por nos esquecer. Ao longo destes anos, fiz de tudo é verdade, e acima de tudo, aquilo que fiz foi com gosto, com prazer e com a satisfação de ter feito com toda a minha força, garra e coragem e não pensem que foi fácil, não, a vida é complicada e por muito amor, dedicação que tenhamos, existem sempre "forças" ás quais não conseguimos explicar e que nos atrasam, nos complicam e nos fazem andar devagar.

Vivi com muita gente, aliás direi sempre que parte deles foram a minha família, foram irmãos de guerra, pais na luta e companheiros de muitas batalhas. As pessoas marcam momentos, dedicam vitórias e acima de tudo partilham. Em tudo na vida dedico-me a tudo aquilo que faço de corpo e alma, e quem me conhece sabe que só por motivos únicos é que viro as costas, desistir nunca fez parte da minha maneira de ser, embora que sabia que mais cedo ou mais tarde as coisas só por si acabariam por acabar.

Por vezes posso ter dito coisas, temas, assuntos que muitos poderão achar impróprios, mas quando o fiz sei que foi conhecendo sobre aquilo que falava e contava, pois existem coisas que por vezes gostava de não ver, de não saber e nem crer que aconteceram, mas sempre me ensinaram que não devemos ter medo, e acima de tudo assumir sempre as nossas responsabilidades, os nossos gestos e as nossas atitudes. A todos peço desculpa se fui sincero, se fui realista e se fui frontal, mas devemos tratar das coisas consoante elas são, e para mim talvez seja tenha sido demais, assumo isso, mas a vida nem sempre é o mar de rosas com que sonhamos e acima de tudo temos de saber ouvir, escutar, aceitar as opiniões de cada um, pois pelo menos assim o tento fazer.

Durante estes longos anos, houve coisas boas e más, existem sempre, e certamente poderei gabar-me disso, que fui pioneiro, fui dos primeiros, senão o primeiro mesmo a criar uma página (blog) dedicado exclusivamente ao voleibol de praia, aos quais mais tarde outros fizeram de forma diferente e se calhar melhor, mas ficará sempre prá memória de muitos, o pequenito moço, que andava nas praias a tirar fotos, a recolher entrevistas e a destacar o que de melhor se fazia em respeito ao voleibol de praia. Se fosse hoje, se calhar teria sido jornalista, teria feito reportagens ou pelo menos dado a conhecer melhor esta gente, esta terra e esta modalidade.

Guardo na memória todas as recordações vividas, de projectos criados, de pessoas e momentos fabulosos e aos quais se calhar e com mais tempo deixarei escrito num livro, onde partilharei essas lembranças, e ás quais juntarei algumas das pessoas que convivi, conheci e que marcaram e marcarão para sempre.

Actualmente abraçarei um novo projecto, numa outra modalidade, mas mesmo assim não esquecerei o voleibol, os amigos que fiz e que um dia perguntarão quem era este individuo. Para todos não é um adeus, mas sim um até já, um até daqui a pouco ou mesmo até breve, pois entre alguns jogos, eventos, torneios e seja lá o que for, lá estarei, nem que seja para dizer um olá, bater uma conversa e ver uns amigos.

A todos vós, o meu obrigado por tudo, pela vossa amizade, carinho e compreensão. Aqueles que foram meus amigos, aquele forte abraço, aqueles que me acharam inimigo, não guardarei ressentimentos e seremos amigos, pois na vida existem aqueles que nos aceitam da maneira que somos e acredito que entre amigos e inimigos, acabam sempre por aceitar e respeitar como somos.

Até sempre e vemo-nos por ai.

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