Os praticantes das modalidades de salão na cidade da Praia estão revoltados com a gestão do Gimnodesportivo ‘Vavá Duarte’. Depois de aturar no silêncio as actividades religiosas aos domingos, a gota de água transbordou esta semana, com o recinto desportivo a ser ocupado durante cinco dias com a Oficina do Empreendedorismo (OE). Perante este “atropelo” à prática e desenvolvimento das modalidades de salão na capital, dirigentes, jogadores, treinadores e adeptos pedem melhor gestão do espaço e maior sensibilidade para o desporto nacional. Indignados, não entendem porquê não foram realizar a OE num outro lugar – por exemplo o Hangar do Aeroporto da Praia. Confrontado com as críticas dos desportistas, o director do PDVD, José Luís, diz que os clubes e as associações é que tiveram a última palavra na hora de decidir se o Pavilhão Vavá Duarte devia, ou não, acolher este “evento de grande importância para o país”, em detrimento de uma semana de treinos.
Uma das vozes mais descontentes com a decisão de realizar a OE no PDVD é a de Manuel ‘Nelinho’ Vieira. O treinador do ABC e da selecção feminina de sub-20 – equipa que já está a preparar a sua participação no Challenge Trophy – leva as mãos à cabeça e diz que “é um absurdo” deixar os jovens uma semana sem treinar, numa altura em que os campeonatos regionais entram em ritmo acelerado. Por isso, afirma categórico: “não há uma política desportiva em Cabo Verde. Tudo é feito por obra e graça dos dirigentes”. Indignado com este “atropelo” à prática e desenvolvimento das modalidades de salão, Nelinho prevê que a suspensão dos treinos vá ter efeitos negativos nos próximos jogos da sua equipa.
Outra voz que se levanta é de Carlos Ramos, treinador e presidente da Associação Regional de Voleibol de Santiago Sul. Diz que ocupar o Gimno com outros eventos durante uma semana é “uma situação grave que se deve evitar”. “Com a feira a acontecer durante uma semana é mais uma dificuldade que se cria, uma vez que o Gimno já é superlotado com treinos e competições oficiais”. Apesar de a DGD ter dado conhecimento da actividade aos clubes e associações com alguma antecedência, ninguém engoliu o sapo. Por isso, Ramos diz que a reunião foi apenas uma mera formalidade para validar uma “decisão que já estava tomada”. Este voleibolista também entende que “não há sensibilidade para o desporto em Cabo Verde”, ao mesmo tempo que se insurge contra as actividades religiosas que vão ocupando aos domingos o espaço.
Os lamentos não ficam por aqui. Orlando Mascarenhas, director desportivo do Seven Stars, entende que realizar uma feira durante uma semana é a “maior aberração que podia surgir no desporto na capital”. Apesar de a DGD ter avisado previamente, Mascarenhas insta o Governo a definir a sua política para o desporto: “ou utiliza o pavilhão para actividades desportivas ou o aluga para eventos com o fim de obter o lucro”. Apesar de reconhecer que os clubes nem sempre conseguem arcar com todas as despesas – luz, água e manutenção – o dirigente é de opinião que, com esta atitude, o Governo não está a contribuir em nada para a integração dos jovens e para eliminar várias tragédias de rua, como a violência e delinquência juvenil. Além disso, Orlandinho teme que o novo piso fique danificado com as muitas actividades desta semana.
Tchipó: “Desportistas estão a agir com maldade e má-fé”
Confrontado pela nossa reportagem com as críticas dos desportistas, o director do PDVD, José Luís Gomes, informa que a realização da OE foi decidida com muita antecedência numa reunião com os clubes e respectivas associações regionais. O encontro, informa, contou ainda com a presença de um representante da ADEI, que falou da importância do evento para o país. Por isso, entende que os dirigentes estão a agir com “maldade e má-fé”. Sobre a não realização do evento em outro espaço, Tchipó rebate com a ideia que a escolha do PDVD foi por uma “questão de centralidade e distâncias”.
“Não estamos a relegar o desporto para segundo plano. Foram os clubes e as associações que tiveram a última palavra neste assunto”, assevera o responsável, informando ainda que a direcção do Gimno não recebeu qualquer tostão pela feira, dado que “é um evento de grande importância para o país”. Neste sentido, e devido à carência de espaços para realizar actividades desportivas, culturais e religiosas na Praia, José Luís entende que vai passar a conjugar melhor o tempo no PDVD “para poder servir toda a gente”. Mesmo assim, reconhece que é uma opção que não agrada a todos. Quanto ao novo piso, garante que está completamente protegido.
Fonte: ASemana


























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