Opinião: Aspectos Críticos, Desafios e Convergência no Voleibol Moçambicano

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

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Aspectos Críticos do Nosso Voleibol e os Desafios para a Convergência
por Osvaldo Machava

O Balanço Geral não pode ser Publicitado

Como corolário dos factos acontecidos durante este marcante ano desportivo, parei por uma semana para passar para o papel electrónico aquilo que eu chamaria: "O Balanço Geral da Federação aos Clubes", seria uma espécie de resumo do desempenho anual da federação, da associação, das selecções nacionais nos jogos africanos e das equipas da Cidade de Maputo, mas o acréscimo polémico a tudo isso é que se faria uma análise um pouco histórica de cada processo e essa análise careceria de uma forte critica do comportamento de cada um. Importante é salientar que sugestões e conselhos estariam em cada crítica.

Passou a semana, havia escrito o Balanço Geral com o mesmo espírito e precisão, o resultado não deixou de ser polémico, foram 20 paginas escritas em quase 4 dias, o conteúdo era muito forte e ofensivo, a analise feita mostrava um desempenho péssimo de muitas instituições, e ainda apreciam nomes de figuras do nosso voleibol retratados de forma negativa, em suma, uma lista de comportamentos negativo que o relatório dizia seres estes que minam o desenvolvimento da nossa modalidade.

Tentei rever e suavizar o relatório, mas, a realidade e o meu espírito não permitiram que o relatório chegasse a ser menos ofensivo. Enfim, porque amo esta modalidade e tento zelas pelo seu desenvolvimento, havia decidido que mesmo assim o relatório teria que ser publicado em duas paginas de internet e em pelo menos um dos jornais mais públicos e polémicos, assim, se moldariam algumas formas erradas de se comportar que fechavam as portas do desenvolvimento da modalidade de todos nós.

No entanto, por tudo que esta modalidade passa e porque penso eu que alguns destes comportamentos podem mudar e melhorar, tendo em conta o impacto deste relatório, decidi não publicar por enquanto, havia deixado muita gente cheia de expectativas, mas não valeria muito apenas colocar neste momento este forte conteúdo. violei um principio que tanto gosto, do Carlos Cardoso que diz que: "No ofício da Verdade, é proibido colocar algemas nas palavras", e eu coloquei por enquanto, não honrei com a minha palavra e traí o voleibol, mas se assim tivesse feito muita gente lhe deveria a recuperação da sua imagem, enquanto a minha filosofia coincide com o princípio de Martin Luther King Jr. que diz que: "O melhor caminho não é destruir os maus, mas sim transformá-los". O que me deixa ainda com a cabeça erguida é que não perdi o foco e continuo na mira de toda a gente e trabalhando pela divulgação, melhoramento e profissionalização da nossa modalidade.

O relatório não será por enquanto publicado, deixaremos para o ano um outro relatório que irá depender do rumo que o nosso volei levar e espero eu que estas atitudes futura melhorem o conteúdo do relatório.

O que mina a nossa modalidade? Background do balanço geral...

A ideia do Balanço geral, pode ser encontrada a seguir, mas de uma forma genérica. O documento defende que muitas razões da não publicação deste relatório, deve-se às seguintes realidades que o nosso volei apresenta:

Falta de Ética desportiva, Vergonhosa Gestão e Impunidade

Não iremos pelo conceito, mas pela percepção, uma minoria de pessoas de grande importância prende-se a ideologias que trazem consigo uma série de atitudes anti-desportivas que fazem do volei uma modalidade estagnada, falo de não alocação dos fundos que o Estado concede à federação para essa suavizar a situação precária das associações, dos clubes, dos campos, do árbitros e demais sustentos desta modalidade que no final não produzem tais efeitos muito menos são colocados, mas sim nem uma tentativa de simular a existência destes valores.

Este facto é preocupante porque é assim que esta modalidade se atrasa neste país em detrimento do desenvolvimento económico óbvio, transparente e ou claro de um ou dois senhores que dirigem esta modalidade no seu mais alto escalão nacional. Facto curioso é que gente capaz de nos ultrapassar deste facto não consegue ver o que qualquer voleibolista nacional vê e sente, isso nos leva a duvidar da nossa justiça. Estas atitudes de anti-ética atrasaram o nosso volei na mesma medida de anos que esta direcção existe.

Não quero referir outros tipos de comportamentos que asseguram estas atitudes negativas, desde o pessoal que serve de capa desta gente e ainda as actividades inexistentes desta gente que acabam formando uma imagem irónica nos órgãos superiores nacionais e até internacionalmente onde é enaltecido um homem destruidor da nossa modalidade.

Esta falta de ética, infelizmente também acontece em outras instituições desportivas do voleibol, que detalharemos no próximo ponto.

A incapacidade de Separar Ideologias e Emoções

- Dos Dirigentes

Este é mais um dos factos mais preocupantes, vejam que concordando com os dirigentes da AVCM, ninguém irá querer tomar conta do voleibol senão os próprios voleibolistas, essa é uma realidade incontestável, muitos dos nossos dirigentes estão a dirigir uma instituição que dirige os clubes num todo, neste caso concreto a Associação de Voleibol da Cidade, é assim e por muito tempo será assim, mas, facto amargo nisto tudo é que esta gente ainda apresenta uma resistência em separar os lugares, as crenças e principalmente os objectivos dos clubes a que pertencem e da instituição geral dos clubes que dirigem, ainda existem decisões e raciocínios que saem em beneficio directo ou indirecto dos clubes que representam, isso mostra um duvidoso engajamento nos objectivos gerais dos clubes e do voleibol enquanto forem misturados com os dos seus clubes.

Acima de tudo, isso cria uma desconfiança e um profundo conflito entre os não representados na direcção e os dirigentes, e mais forte ainda é a triste e insistente frase: a associação é do clube X e beneficia o clube X.

É verdade que há exageros no pronunciamento de muitos dos associados que gravam discursos e salvam-se dos seus erros e alegam a mesma e triste desculpa. Mas infelizmente ainda deixa-se ficar de rastos que fazem desta desculpa ainda válida.

O mais baixo de tudo é que ainda há falta de impessoalidade no tratamento dos problemas, há atitudes pessoais que ainda são tomadas, mesmo se sabendo que tanto nos clubes como nas associações nenhum dos objectos devem ser pessoais, mas sim, há gente que prejudica a maioria e no final o voleibol por levar emoções pessoais par as decisões colectivas.

O meu professor de Negociação, defendia que "a moral não conta, contam os interesses"[1], por mais que eu sempre discordasse com ele e lhe aconselhei a rectificar isso na segunda edição do seu livro, mas sempre tive desta lição, que qualquer gesto de compaixão ou união é verdadeiro até onde começam os interesses individuais, nesta ordem de ideia, o limite do nosso associativismo é o começo dos interesses particulares de cada um de nós. No entanto, deve-se evitar que as filosofias, as politicas e decisões da associação incluam interesses individuais porque de uma associação já não estaríamos falando.

Nesta relação é onde espero que para o ano 2012 haja mais transparência, humildade e união, este problema por mais grave que seja pelo seu conceito, na verdade pode-se ultrapassar com o clima de debates e opiniões que este elenco tem nos trazido e desde já as minhas saudações e felicitações.

Conselho que fica é: vamos colocar o voleibol primeiro. Vocês querem isso, nós também queremos e juntos podemos.

- Dos Treinadores Nacionais das Selecções Nacionais

Não quero divagar muito, mas deixo ficar o que é transparente, os treinadores nacionais quando estão a serviço da selecção nacional infelizmente também não conseguem colocar os objectivos da nação em primeiro lugar. Atletas existem, que têm uma certa vantagem por estarem representados seus clubes pelo seu treinador, isso mostrou-se nas selecções nacionais que representaram o país nos X Jogos Africanos, que fugiram do objectivo de formar equipas jovens para o futuro, porque assim muitos atletas dos seus clubes não teriam espaço.

A composição da pré selecção e das selecções finais, também mostraram esse benefício de alguns clubes apadrinhados, isso culminou numa fraca representação que no final de tudo só prejudica a todos nós porque generaliza-se o particular. foi triste para os amantes do voleibol, é difícil, mas é possível ultrapassar este problema, já vi um caso bem sucedido de imparcialidade numa selecção provincial, pelo que apelo a mudança de comportamento.

Falta de Vontade de Crescer

Este ponto sustenta os anteriores, mas para a sua diferenciação vou focar-me na qualidade da formação de atletas, é frequente a existência de clubes desinteressados em formar atletas novos e nos moldes internacionais, limitando-se nas equipas que tem e que apresenta, vantagens competitivas a nível interno, mas, que não tem qualidade internacional.

O nosso voleibol muito pouco pode desenvolver com o melhoramento das equipas adultas que temos, mas mais podemos crescer com a boa formação dos mais novos. Poucos se importam com isso e outros preferem tercearizar esta formação e colocá-la em mãos inexperientes e só fica aquela imagem de que tem escalões de formação, mas isso não basta, importa muito mais a qualidade.

Temos equipas agora que são das melhores e ganham muitos dos campeonatos a nível da cidade e do país. mas estão com os dias contados, já estão velhos para continuar e não têm atletas novos a formar para a sua sucessão, estando para entrar numa fase de jejum de conquistas que pode durar uma eternidade.

Facto triste deste problema é que muitos destes problemas é que muitos destes clubes optam pela contratação de atletas formados pelos outros clubes, uma contratação que não chega a beneficiar nem ais formadores, nem aos próprios atletas porque entram numa fãs de destreinamento e estagnam-se, são feitas falsas promessas que acabam na destruição dos atletas. Nem que as recompensas fossem justas, isso não nos leva ao desenvolvimento, é mais preferível uma formação mutua, e posteriormente uma compra também mutua, assim temos mais formados e enaltecemos o nosso volei.

Resistência à Mudança

Lá na minha área de formação, dissemos que este é o principal motivo do atraso das organizações, que culmina na perda da competitividade das mesmas. Assim, levo este conceito para o volei nacional porque enquadra-se.

Falo dos técnicos nacionais e podia até me referir aos próprios atletas, mas a verdade é que os nossos treinadores prendem-se ao que sabem desde que formaram-se precáriamente como técnicos e não têm ambição, vontade ou coragem de aprender e implementar formas actuais de treinamento e de se jogar voleibol, mesmo com acesso a informação.

Como se justifica que uma selecção nacional em pleno sec. XXI, ainda não faz curtas, e curioso ataca no meio, e mais, bolas compridas, meus senhores? Com os poucos anos de experiência que tenho, sei que no meio não se ataca sem curta, e não se bate bolas compridas, porque é onde o bloco está concentrado, é muito fácil encontrar um bloco triplo.

"Como é que se justifica que numa selecção sénior feminina em pleno sec. XXI, ainda se receba com sistema W (um jogador na6, um na 5 e um na 1)? E como é possível mandar a libero defender sempre na zona 1, que a bola vem para a zona 1 senão uma minoria de bolas da 2 e um zagueiro que quase que nem era feito?" [2]

Essa é a análise que faço da selecção feminina mas acontece até em equipas masculinas nacionais, isso mostra falta de investigação e medo de aprender e desenvolver, mesmo com a tecnologia próxima de nós.

Eu revoluciono o volei do clube que eu represento, sei que tu também tens vontade, então mostre-me em 2012 para o bem desta modalidade.

Mau Enquadramento Universal

É um facto nacional mas que não corresponde à verdade africana porque grandes países como Egipto, Tunísia, Camarões, etc... enfrentam o voleibol em pé de igualdade com o resto do mundo, mas levei este ponto para referir o acesso a informação e formação directa especifica do voleibol.

Veja que a mudança de regras e disponibilidade de provas não afecta-nos em tempo real. É verdade que aqui também posso referir um problema muito grave que nós temos: Novas regras foram implementadas em 2009, mas em Moçambique ainda não são usadas, o que me deixa preocupado é que alguns de nós as conhecemos e ficámos furiosos quando as vimos serem violadas em jogos que presenciamos, são regras claras e pequenas (só tem haver com o contacto com a rede e zonas que não fazem mais parte da rede), mas o que fere é que são dos actos mais frequentes n voleibol, por isso devem urgentemente serem aprendidas pelos nossos árbitros e imediatamente implementadas para o nosso enquadramento universal, nem que tenha que ser eu a ensinar.

Outros Factores

Todos os factores acima referidos são referentes a problemas provocados por nós próprios como utentes do voleibol, nisto, são factores que podem melhorar somente com a nossa vontade. No entanto, existem outros factores alheios à nossa vontade, mas que também podem ser melhorados:

Insustentabilidade dos Clubes e da Associação

falo da insustentabilidade económica e técnica. Económica porque os clubes e as associações não conseguem por si só manterem-se economicamente estáveis, nem para acatar as suas despesas mínimas. Veja que quase todos os clubes não conseguem corresponder às suas despesas, desde os custos com os atletas (não existem subsídios) , equipamento de jogo, material de treino e filiação e inscrição nas associações. Isso fortalece a primitiva situação de amor à camisola, mas quem ama a camisola no mínimo lava-a e engoma-a, e para tal deve haver alguma.

Existem clubes que são os próprios atletas, mesmo sendo dos melhores da cidade e alguns a nível nacional. É triste, o atleta oferecer a sua vontade de jogar, pagar o seu transporte para o treino e para o jogo, ajudar no pagamento da inscrição e ainda na compra do equipamento de jogo e do material de treino. A AVCM, também, porque os clubes se encontram numa situação precária, cai na mesma situação, consequências são das assistidas neste mesmo ano: não atribui premiação por falta de fundos, não tem árbitros qualificados (tem atletas árbitros), não usa material de jogo adequado (redes sem vareta), tem falta de campos (faz jogos a céu aberto), não tem sede, etc...

Este factor económica, é o que mina seriamente a nossa modalidade, por estas razões, o país perde muitos atletas a cada ano, porque chega o tempo em que se cansam e precisam levar a vida sustentável. Perdem-se também, muitos atletas ainda na base pela dor de tanto sacrifício só para aprender a jogar volei, esta modalidade no nosso país, acaba sendo a mais difícil de jogar, não pelos aspectos técnicos mas pelas condições em que se pratica. Por esta razão, ainda não temos escolas oficiais de formação de atletas.

A parte técnica é directamente afectada pela económica, sem material não se formam bons atletas, por mais que a gente consegue formar alguns. Sem condições também não se tem técnicos, oficiais e dirigentes motivados, tirando os da federação porque estes lidam com valores.

Falta de Critérios de Aprovação dos Praticantes

Se o nosso voleibol fosse dos organizados, então haveria para o caso de alta competição, critérios por exemplo de admissão nos clubes, do tipo: estado de saúde, altura mínima, idade de ingresso, testes de admissão e análise da evolução dos atletas. Não precisamos de dinheiro para adoptar modelos do género, mas mesmo assim, não o fizemos.

Devem haver critérios de entrada de equipas no escalão sénior, que é o mais alto que temos, muitas equipas nascem de um dia para outro, sem qualidade, história e até na sua introdução nasce da falência de outros clubes, não se pode permitir que um clube novo nasça logo nos seniores e nem equipas que jogam neste escalão só pelo lazer, com o caso dos trabalhadores de uma empresa que se inscrevem s´+o para manterem o corpo estável.

Existem muitos outros actos livres de dinheiro que poderíamos ir implementando para o progresso da nossa modalidade.

Concluindo:

Os aspectos colocados acima, resumem o Balanço geral, mas de uma forma mais suave, mas sem suma, "é urgente mudar de comportamento e colocarmos o volei em primeiro". São águas passadas, pensamos nós os voleibolistas, e que em 2012 sejamos mais convergentes como pede o técnico brasileiro Hildeberto Araújo Beto.

Mas enquanto nada muda, fica o parágrafo:

"Gente sem ética, insensível e sem vergonha... pessoas inteligentes, conhecedoras das nossas dificuldades e das soluções das mesmas, pessoas que o volei precisa, mas sem coração, sem engajamento, sem valores e sem princípios,... ESTÃO LEVANDO À LOUCURA O DESPORTO QUE A GENTE AMA!"


[1] Prof. Doutor Joaquim Manjate, 2011
[2] Análise do Hildeberto Araújo Beto, Involeibol 2011 - Tempo Técnico


1 comentário:

Anónimo disse...

parabens pelo artigo ou melhor pelo balanco, o que fazemos agora? so a mente inteligente podera dar luz a escuridao, a liberdade somente a liberdade podera nos levar ao bom volly,falo da liberdade de questionar,de lutar pelo justo,coragem.nos aceitamos tudo que a fideracao a Associacao,poder dizer nao tirar as pessoas que ja nao serve,uma boa moeda expulca uma ma moeda.vamos exigir campos para jogarmos comecar pelo pavilhao de academica que um dia jogamos vamos buscar o pavilhao em casa do presidente da fideracao chegou a hora de presidente justificar junto ao volly nacional porque e* presidente coragem

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