Hoje acordei saudoso. De quê, perguntam vocês caros leitores?Dos tempos em que o voleibol de praia era simples, do tempo em que o toque de bola era idêntico ao pavilhão, do tempo em que as regras não eram complicadas, do tempo em que as pessoas envolventes apenas procuravam os apoios e a divulgação da modalidade, do tempo em que os atletas adoravam o desporto, do tempo em que todos lutavam por um propósito.
Realmente, as saudades são imensas dos velhos tempos, da minha geração de voleibolistas. O tempo passa e hoje lembrei-me de quatro atletas fantásticos, fabulosos e sem palavras para descrever aquilo que foram para mim há 25 anos atrás, falo de Miguel Maia, João Brenha, Maria José Schuller e Cristina Pereira. Que saudades, ainda lembra ver estes fabulosos atletas a treinar arduamente para conseguirem algo, e conseguiram sim, foram as únicas duplas portuguesas a marcarem presença em Jogos Olímpicos, sim foram. Para muitos se calhar nem se lembram, pois naturalmente os nomes podem ser estranhos, principalmente das duas atletas femininas, mas o facto é que estiveram lá sim, marcaram presença, marcaram uma geração de atletas das quais deixam saudades, marcaram a ousadia de contra tudo e todos fazerem deste cantinho há beira mar plantado uma referência do voleibol de praia. Foram enormes naquilo que fizeram, foram lutadores e conseguiram o que mais ninguém conseguiu. A história do voleibol de praia foram eles quem a fizeram. Sim meus caros, foram estes quatro magníficos quem fizeram a história, foram eles as grandes referencias de várias gerações de atletas. Depois de tantos anos, as saudades são enormes, imensas, infinitas, e por vezes pergunto-me, será que existirá atletas desta categoria?
A resposta é não. Porque? Muito simples, a geração de agora é, sem objectivos, sem coragem e sem vontade. Sim, sei bem que as palavras podem chocar, mas é a verdade. Actualmente a nova geração não tem objectivos, coragem e vontade de poder ir longe, de lutar, de conseguir algo mais. Esperam que as coisas apareçam do nada, que os patrocinadores caiam do céu, que o material necessário para os seus treinos chegue como se uma prenda de Natal se tratasse. É verdade, sei que é, mas as novas gerações não pensem que "há naquele tempo era tudo mais fácil", não era, poderia ser mais simples, mas o facto é que as dificuldades sempre existiram, os apoios não apareciam, os patrocínios muito menos, mas o facto é que lutou-se, ganhou-se e acima de tudo a vitória final foi nossa. Pois mostramos que querendo, conseguimos ir a tudo aquilo que nos propusemos.
De facto uma coisa direi, actualmente existem vários talentos, excelentes atletas e que muito poderiam conseguir, mas será que conseguirão, será que teremos altos voos, ou será que vamos ter as mesmas desculpas de sempre, do género, "não temos apoios", " a federação não ajuda", "não temos patrocínios". Estas são as desculpas, estes são os velhos argumentos do costume, ou pelo menos aqueles que continuam a usar constantemente.
Na verdade a saudade aperta a cada momento e por muito que falássemos que não tínhamos aquilo que criamos, o facto é que lutávamos, vencíamos e ganhávamos.
Oh tempo, volta pra trás...


























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