Cabo Verde: Entrevista ao árbitro Júlio Leite

quarta-feira, 25 de maio de 2011

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O árbitro de voleibol Júlio César Leite (Popey) concluiu com grande sucesso o curso de candidatos a árbitro internacional de Voleibol, que teve lugar em Abuja/Nigeria, de 3 a 13 de Maio do corrente mês.

Júlio Leite passou nos exames finais deste curso com a classificação de Muito Bom na prova teórica e Bom na prática.

A arbitragem Cabo-verdiana está de parabéns e o MAISVOLEIBOL não podia perder esta oportunidade para ter dois dedos de conversa com este verdadeiro aficionado de voleibol e também já considerado como um dos maiores impulsionadores do voleibol em cabo Verde.


Quais eram as expectativas aquando da partida para este curso na Nigéria?
Estava extremamente ansioso e nervoso porque tudo o que eu ansiava há alguns anos estava para acontecer. As minhas expectativas eram elevadas.

Qual a sua análise sobre o decorrer desta acção de formação?
Foi algo de excepcional porque tive o privilégio de trabalhar com os melhores do mundo. Pessoas que não só conhecem as regras como também estão dentro do grupo que altera as regras ou seja, estava a colher a “maça” directamente da “macieira”.

Ao nível pessoal os resultados foram muito positivos. De agora em diante como vai ser? Quais os próximos passos e objectivos na sua carreira?
Logicamente muito positivos. Para me tornar Internacional preciso completar 3 jogos internacionais oficiais, e isso parece-me um pouco complicado devido à fraca participação internacional da nossa selecção, mas isso está a mudar um pouco, por isso estou confiante em conseguir isso em breve. Depois da internacionalização, é preciso continuar a trabalhar todos os dias. O curso é só o começo.

Para além do prestigio, em que medida julga que esta promoção na área da arbitragem possa vir beneficiar o voleibol Cabo-verdiano?
Eu vejo este ganho mais para Cabo Verde do que para mim. Eu só estou a cumprir com a minha obrigação para com o Voleibol Nacional. Neste momento estou bem preparado para ajudar a evoluir a arbitragem em Cabo Verde.

Falando agora um pouco no caso da Arbitragem em Cabo Verde, em que situação se encontra?
Muito mal, na medida em que há poucos árbitros, e a maioria com serias dificuldades em termos de conhecimento de regras.

Os recentes cursos de arbitragem realizados em Cabo verde tiveram uma adesão considerável. Considera que essas acções formativas foram produtivas? As expectativas e objectivos dos intervenientes foram alcançados? 
No fundo não foram bem cursos mas sim reciclagens. Há mais adesão por parte de jogadores do que de árbitros. Isso é que é precisa mudar.

Quantos árbitros de voleibol existem actualmente no activo em competições de Cabo Verde? Considera esse número suficiente, ou é possível no momento!??
Não consigo precisar porque as associações não tem dados e muito porque na maioria são jogadores árbitros. De momento é o possível.

O que poderá ser feito para incentivar e aproximar mais gente ligada ao voleibol para iniciarem carreira na arbitragem de voleibol?
Já tentamos ex-jogadores mas as pessoas não se mostram muito interessadas. Vamos continuar a tentar angariar mais árbitros. 

Como consegue acumular o cargo de Presidente da arbitragem da FCV em simultâneo com o de árbitro? Qual dos dois cargos lhe dá mais prazer em desempenhar? 
Como disse, somos poucos não dá trabalho em organizar mas sim em arranjar novos árbitros. Logicamente arbitrar é sempre mais aprazível.

Recuando um pouco no tempo, sabemos que chegou a praticar esta modalidade, conte-nos um pouco essa sua etapa no voleibol.
Iniciei no Liceu, onde nos 2 últimos anos tínhamos de escolher uma modalidade. Por causa de um amigo acabei por escolher o Voleibol. A partir daí foi amor para sempre. Joguei ainda até 2009.Ao mesmo tempo comecei a minha carreira com o treinador, principalmente de formação. Sou treinador de Nível 1 da FIVB.

Depois de abandonar o voleibol como atleta, o que o «puxou» para o lado da arbitragem e não o de treinador e/ou dirigente?
Fiz o curso de árbitro nacional em 1996, com o português Alcides Gama. Desde 2001 que sou chamado a arbitrar nos Campeonatos Regionais e Nacionais. Segundo algumas pessoas, eu tinha todas as condições para me tornar no primeiro árbitro Internacional em Cabo Verde. Aceitei, mas o que eu queria mesmo era continuar a ser Técnico, mas em primeiro lugar está o que é melhor para o nosso Voleibol.

Há quanto tempo é árbitro? Tem valido a pena todos os esforços pelo desempenho desta arte de julgar e educar atletas de voleibol?
Desde 1995. Vale sempre a pena quando fazemos com vontade e seriedade.

Deixando uma mensagem...
Um apelo a todos os intervenientes no voleibol: muita coisa podia ser evitada se as pessoas se dessem ao trabalho de ler o manual das Regras Oficiais de Jogo.

[ MAISVOLEIBOL agradece a Júlio Leite pela imediata disponibilidade para a realização desta primeira entrevista ]

1 comentário:

Júlio Leite disse...

Eu é que agradeço a oportunidade. sempre disponível para o Voleibol.

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