
Na verdade, hoje ninguém pode prever os próximos capítulos do voleibol moçambicano. Depois do inconsistente cenário vivido em 2012, fazer uma previsão deste ano seria um acto de superstição pois vivemos altos e baixos cenários, bons e maus momentos, amargos e doces e outros adjectivos opostos que podes estar a pensar, e tudo isso misturado, sem periodicidade para cada etapa, complica ainda mais uma mera previsão.
A nível da Cidade de Maputo, o voleibol mais se balanceou. Um ano que começou com um baixo nível de organização e competição, ao ter um torneio de abertura a realizar-se somente em seniores por falta de equipas, e ainda com somente duas equipas em masculinos e 4 em femininos. Porém, já na maior prova da Cidade movimentou-se mais de 30 equipas englobando os 3 escalões e os 2 géneros. Foi uma sucessão de semanas emocionantes de voleibol, principalmente em seniores masculinos com 10 equipas onde mais da metade apresentava um alto nível de aproveitamento.
Quem viveu se lembra dos grandes embates entre as Académicas (“M” e “B”), Maputo Jets “Z”, Hulene, Hotso e Mcel, cujo cruzamento resultava em emocionantes espectáculos.
Já em femininos, as partidas foram um pouco mais equilibradas, mas com incidência de grandes partidas em quase todas as equipas. Era o mais emocionante e competitivo Campeonato da Cidade que já havia assistido, onde se apresentavam grandes evoluções e revelações. Equipas habituais faziam jogos não habituais no sentido positivo.
No entanto, quando já nos aproximávamos da segunda fase do campeonato em masculinos houve um caso que parou com todo o espectáculo. Decisão relativa a continuidade de uma equipa prejudicou as mais de 3 dezenas restantes em toda a competição. Uma das melhores equipas da cidade e do país: a Académica “M”, deveria à luz do regulamento, cessar a sua presença na prova por acumulação de faltas de comparência. No entanto, essa decisão não foi tomada para a fúria das restantes equipas da prova. Este cenário resultou em sabotagens que pararam as emoções do Campeonato da Cidade por muito tempo.
Esta questão foi associada e interpretada com a falta da imparcialidade nas decisões que dizem respeito a Académica e as outras equipas de Maputo, visto que a direcção da Académica é que tem maior peso na direcção da Associação de Voleibol da Cidade de Maputo quem organiza as provas. Para quem lembra do Balanço Geral (matéria publicada no ano passado) esse era um dos pontos principais. Verdade ou não, a interpretação da maioria foi essa.
Pela ordem dos acontecimentos, vamos analisar o cenário a nível nacional, pois seguiu-se em Julho a realização do Campeonato Nacional.
Foi um marco na história do voleibol nacional por reunir pela primeira vez mais de 40 equipas no total, o que fez que se assistisse na Cidade de Maputo uma emocionante semana de voleibol. Mesmo diante de grandes problemas, a Cidade de Maputo teve que se organizar para acolher e disputar essa que é a maior prova a nível nacional.
Grande aparição nesta prova foi da Província de Nampula que participou em todos os escalões e géneros com grandes equipas representadas pela Autoridade Tributária e UP - Nampula. Mais equipas de bom nível foram apresentadas pelas províncias de Manica e Sofala, esta última representada pelos até então campeões nacionais em seniores masculinos, e Manica em seniores e juniores femininos.
Terminadas as emoções desta prova, mesmo parada, a Cidade de Maputo prova a sua hegemonia e conquista 5 das 6 categorias representadas pelos 2 géneros.
A Maputo Jets e a Académica “M” vencem em seniores masculinos e femininos respectivamente, a Hotso e a Aliança vencem em juniores masculinos e femininos respectivamente, e finalmente a Graal vence em juvenis femininos. O único título de campeão perdido por Maputo foi o de juvenis masculinos que foi para a Autoridade Tributária de Nampula. Porém é de referenciar que todas as equipas de Nampula foram premiadas nesta prova.
Ficou para todos, a imagem da prosperidade que Nampula trazia principalmente em masculinos com uma equipa muito jovem e que esteve a altura de todas as restantes do nacional.
Voltando a Maputo, assistiu-se uma tentativa de retorno aos campos, mas o mesmo problema pesou e tudo voltou a parar, pelo que com a retirada definitiva da Académica “M” só nos finais do ano terminou-se este campeonato com maior destaque em seniores masculinos onde a Hotso sagrou-se campeã da cidade pela primeira vez na história, com um histórico de somente uma derrota de 2-3. Este foi o principal destaque pois que esta equipa terminara a mesma prova em 4º lugar em 2011 e nunca foi de se destacar, mas provou-se a superação e merecimento deste título pelo trabalho feito.
Maior destaque do ano foi a conquista da Liga dos Campeões da África Austral pela Autoridade Tributária de Nampula na Zâmbia. Pela primeira vez na história, uma equipa moçambicana vence na Zona 6 e qualifica-se para a fase final da Liga dos Campeões de África. Mas facto que arredonda esta conquista foram os prémios individuais que foram atribuídos aos moçambicanos em 4 categorias: melhor jogador, melhor passador, melhor bloqueador e melhor rematador.
E agora, o que esperar de 2013? Fazes ideia? Qual? Mas uma verdade está a porta, as equipas com atletas mais novos vão fazer diferença, porque provou-se a limitação dos mais velhos, pode não ser agora, mas Nampula vai entrar definitivamente para a história do voleibol nacional.
Outra certeza é que na Cidade de Maputo no mínimo ou morrerá mais uma equipa, ou nascerá mais uma, ou ambos. E maior incerteza se encontra nesta cidade pelos desníveis apresentados ao longo do ano passado.
O que queremos saber é se 2013 será mesmo um ano novo? Mas vos trago o ditado que diz que: “Nunca haverá um ano novo se continuarmos a cometer os erros dos anos velhos”. Mas se continuar velho ou passar para novo, como efectivamente será? Depois dos diferentes cenários assistidos em 2012, eu não consigo responder a essa questão, e tu? Qual é a previsão que fazes?
Osvaldo Machava, Volei in Moz
maisvoleibol 2013
Otima resumo Osvaldo, acho que vc captou bem todos os fatos marcante no ano passado!!
ResponderEliminarHildeberto Araujo