
Quem ligou a TV neste sábado (26) de manhã, teve a oportunidade de acompanhar um jogaço de vôlei: no ginásio do Maracãnazinho, RJX e Sesi deram show de bola, com vitória dos paulistas, de virada, por 3 sets a 2. Foram quase duas horas e meia de uma partida de alto nível, na qual uma vitória dos donos da casa também seria justa. Porém, por pouco tudo isso não acabou manchado por erros da arbitragem.
Sem precisar puxar muito pela memória, lembro ao menos de quatro lances problemáticos (dois contra o Sesi no fim do quarto set, um contra o RJX no começo do tie-break e outro na metade da última parcial que só foi marcado corretamente porque Murilo se acusou). É evidente que os árbitros Paulo Beal e Ronaldo Chaves, além dos juízes de linhas, falharam, mas será justo apenas jogar a culpa em cima deles?
A resposta é não. Em um esporte onde os jogadores estão cada vez mais fortes e a bola atinge velocidades muito altas, por que temos que depender apenas do olho humano? É muito fácil pra gente, que está acompanhando tudo com o auxílio da tecnologia da TV, julgar quem precisa tomar decisões rapidíssimas sob uma pressão gigantesca sem ter as melhores condições possíveis à disposição. Humanos erram, se desconcentram, tomam decisões erradas… acontece. Nem o melhor treinamento do mundo será capaz de evitar falhas grotescas dos juízes durante uma partida decisiva.

O nível da arbitragem brasileira precisa sim melhorar, mas ao invés de só cobrá-los, os dirigentes deveriam também ajudá-los – e me refiro não só ao pessoal da CBV, mas também dos clubes, principais interessados no assunto.
Nem é preciso pensar em uma solução, pois ela já apareceu no Mundial de clubes: um sistema de câmeras cujo uso pode ser solicitado pelas equipes para tirar dúvidas em cinco situações (bola dentro ou fora; toque na rede; se um time achar que o rival pisou na linha de saque; se achar que o adversário pisou na linha de ataque; e em uma eventual infração do líbero ao efetuar o levantamento dentro da zona dos três metros)
Para evitar que o jogo seja propositalmente tumultuado por seguidos pedidos de tira-teima, o “desafio” é limitado a dois por equipe em cada set – entretanto, a equipe requerente tiver razão na jogada, o seu pedido de revisão não é contabilizado. O pessoal do Sollys Osasco e do Sada Cruzeiro, que tiveram a oportunidade de testar a novidade na prática, aprovou a medida com louvor.
O principal entrave para a popularização do tira-teima são os custos de implantá-lo em todos os jogos de um campeonato. É um problema, certamente, mas acho que vale a pena bancar estes custos. Afinal, a credibilidade de um esporte vale bem mais do que alguns milhares de reais por mês… então, dirigentes do vôlei, vocês estão esperando o quê?
Carolina Canossa
Parceria
Maisvoleibol / Saída de Rede ( http://saidaderede.com.br)
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