A hora está marcada pelas quatro da tarde.
“Tentem chegar na hora, porque não esperamos retardatários. Quem está lá joga, as outras ficam! O autocarro sai às quatro horas em ponto.” – O nosso treinador é muito rigoroso com essas coisas!
Tudo está lá pronto no momento certo: bolas, uniformes, água, mochilas. As atletas: quase todas! Falta uma, sempre a mesma. Alguém nos avisa que ela está vindo; tranquila, sem pressa, mas está vindo. Agora estamos todas.
O que está faltando é o autocarro! Começa a circular um pouco de ansiedade.
“ Temos certeza de que o motorista foi avisado?”
“Disseram para ele: às 4 horas em ponto?”
“Quem é o motorista?”
Às 4:30 o presidente fala ao telefone, depois sentencia: “Ele disse que está prestes a chegar, estava descansando.”
Finalmente partimos.
O jogo está marcado pelas 6.00 horas, ainda temos tempo.
As 5.30 chegamos ao campo de jogo. DESERTO ..... nem mesmo a sombra do adversário apenas uns miúdos chutando uma bola.
O vento é forte e quente, algumas colegas apanham umas bolas e começam a brincar.
“O Jogo será disputado?” “Não será disputado?” “Quem sabe!” “O dia está certo?”
Começamos a ficar entediadas.
As 6.30 chegam as adversárias; algumas, não todas. Junto com elas alguns “caras” com uma bola de basquete. Enquanto isso vai ficando escuro.
“Aquecimento! Meninas!” - Diz o treinador confiante. Pobre iludido! Ele não sabe o que lhe espera.
Começamos a correr. A bola de basquete atinge o nosso número 10 na cabeça. Tudo normal! Continuamos a aquecer e os rapazes continuam a maltratar o cesto.
Às 7.00 horas, alguém com bom coração, coloca a rede e a mesa. O vento compassivo parou de soprar, e o sol cansado de esperar, finalmente foi dormir.
As 7.30, as luzes se acendem. Só duas das quatro lâmpadas. Temos que esperar para que aqueçam os holofotes, eles também tem direito. Depois de dez minutos nada mudou. Mais do que um campo de jogo se parece com um “Night club”.
O treinador, caiu em uma cadeira instável, tem a cara de quem correu a maratona duas vezes seguidas. As coisas não melhoraram. O campo é escuro como antes e os rapazes do basquete continuam a atingir-nos com a bola. Agora se juntaram as crianças correndo no meio do campo como flechas descontroladas.
As 8.00 chega o árbitro pontual como o “resgate do Titanic”. Não falta ninguém.
São as 8:30 e podemos começar a jogar. Há também alguns espectadores.
Logo depois do primeiro ponto surgem gritos de protesto. Não está claro porquê, nem para quem, nem de quem. Estamos cansadas antes de começar.
O fiscal do nosso lado brinca com os amigos, e não está de todo interessados no jogo. Um cão inconsciente atravessa o campo em todo o cumprimento. Segue-se um bebé escapado aos cuidados de sua mãe. O jogo pára e recomeça novamente, tal qual o holofote da nossa direita.
Ganhamos o 1° set.
Nem temos tempo para sair que um rebanho de miúdos, mais ou menos grande, surgem como que por magia, invadindo o campo e começando a jogar no nosso lugar. Acabado o intervalo de três minutos, gastam-se mais três para limpar o campo de jogo.
Dois alto-falantes gigantes disparam nos ouvidos um ZUK destrutivo, seja para as orelhas que para a atenção. Algumas das meninas não aguentam o ritmo e começam a dançar. O treinador, que só ouve jazz, está aflito no corpo e na alma.
Vencemos também o segundo set e segue a mesma cena que no final do primeiro. Contamos dois feridos não graves, uma no joelho e a outra no cotovelo que esfolaram caindo no piso de cimento. Pouco mal: estamos acostumadas com esses pequenos acidentes.
No terceiro set as nossas adversárias vão à frente e vai crescendo o entusiasmo do público. Cresce demais! Em cada ponto conquistado invadem o campo. Também o nosso campo. Entram e saem como ondas dum mar tempestuoso.
O nosso treinador chama um time-out, ele nos diz algo importante, mas não entendo. A música está muito alta e dispara direitinho aos tímpanos.
O time out dura dois minutos, porque o árbitro encontrou um colega para uma conversa. Além de outro dois minutos para expulsar os invasores.
Perdemos o 3° jogo. Nova invasão festiva.
Às 21:45 vamos para o quarto jogo. As duas equipas são implantadas, mas o jogo não começa. A senhora da mesa, talvez por causa da bexiga fraca, teve que sair. Retorna apenas depois de um quarto de hora, lentamente, arrastando os chinelos e comendo um pacote de biscoitos.
Na pontuação de 4 a 4 cai uma bola sobre a linha, o árbitro não a viu, apitou mas não sabe quem fica com o ponto. Envia um olhar suplicante na direcção do outro fiscal. Inútil, ele está namoriscando com sua namorada, a cinco metros de distância com a bandeira debaixo do braço.
Ponto nulo.
O passador tropeça numa falha do concreto, um bêbado não aprecia as decisões do segundo árbitro, a senhora com bolacha acendeu uma lanterna para ver onde está escrevendo.
A partida termina às 22h30. Damos um suspiro profundo, como quando desaparece o soluço.
Antes de desmaiar o treinador reúne as suas últimas forças para elogiar-nos.
Vamos à procura de algumas garrafas de água, mas não há nem mesmo um bar aberto. O nosso condutor parece um pouco irritado e ainda temos uma hora de carro para a casa.
Felizmente não choveu e desta vez ganhamos.
Só amanhã perceberemos que alguém nos roubou uma bola.
Yes! I LOVE THIS GAME.
Orazio Minneci, Crónicas do Outro Mundo
maisvoleibol 2013



























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