VOLEIBOL DE SALTO ALTO: Porkê ke nôs ta recebê mens ke kes moss?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

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“Lindi, porkê ke nôs (Académica do Mindelo feminino) ta recebê mens ke kes moss?” [1]. Esta foi a pergunta que me colocaram há algum tempo atrás quanto ao prémio de jogo dos campeonatos nacionais masculino e feminino em Cabo Verde. Não consegui responder. Aliás, não faço ideia do porquê se é preciso ter o mesmo número de jogadores, os mesmos desafios, os mesmos transtornos…

De qualquer forma, há um lado bom! Essa pergunta despoletou muitas outras relacionadas com o voleibol feminino em Cabo Verde, e o de São Vicente em particular e já está mais do que na hora de pensarmos no voleibol feminino não só em termos técnicos como no seu desenvolvimento (ou falta deste). 

Muitas pessoas falam dos tempos áureos do voleibol dos anos 90, tempos em que a ilha do Monte Cara respirava Voleibol. No Liceu Ludgero Lima havia jogos ou pelo menos brincadeiras com a bola de volei em todos os intervalos e ainda treinos às 12h30. Todos os sábados havia jogo entre turmas ou entre amigos. Havia cerca de 10 equipas masculinas e 8 femininas no campeonato regional. O polidesportivo estava sempre cheio de gente, com direito a batucada para assistir os jogos, principalmente os femininos porque eram muito disputados. 

Oh saudades, saudadinhas de tempos idos, tempos de glória que não voltam mais! 

Digo tempos idos porque desde 2004 tem-se verificado um declínio da nossa modalidade no escalão feminino chegando ao ponto de ter apenas 3 equipas no campeonato e isso com muito esforço! Muitos treinadores queixam-se que o voleibol feminino não progrediu, não houve desenvolvimento técnico nem táctico. Infelizmente, não posso deixar de concordar. 

Entretanto, não vale a pena ficarmos sentados a lamentar, a recordar. É preciso agir! Contudo, a meu ver, agir não significa apenas arranjar pessoas para jogar e criar equipas de ocasião, ou seja, que jogam uma época e depois nunca mais se ouve falar. 

Agir significa ponderar, pensar, identificar as causas desse marasmo e traçar um plano de acção de Desenvolvimento. 

Pessoalmente, acho que esse plano deve passar por um maior envolvimento das mulheres como dirigentes, árbitros, jogadoras sim, mas também como treinadoras. As equipas femininas estão sempre dependentes de treinadorEs. Se não houver um homem que dirija as equipas, não há volei feminino para ninguém. Por isso, obrigada senhores! 

Mesmo grata aos senhores pelo empenho e dedicação, não posso deixar de dizer que enquanto não nos sentirmos todos e principalmente todAs responsáveis pelo desenvolvimento da nossa modalidade em todas as suas vertentes, não será possível mudar o cenário em que nos encontramos hoje. 

Acredito que essa é uma das causas da estagnação do voleibol feminino, mas há muitas outras e, seguindo a ideia de que devemos primeiro identifica-las e depois discuti-las, gostaria que aqueles que lerem esta mensagem identificassem outras e assim, cada mês ou de 2 em duas semanas, pudéssemos tratar uma causa em profundidade e num segundo momento, procurar soluções. 

Soluções para evitar campeonatos regionais pouco competitivos, para proporcionar um voleibol mais activo e dinâmico, um voleibol estimulante para camadas mais jovens, soluções que coloquem o voleibol na agenda de fim de semana dos Mindelenses. 

Agir, minha gente, para que em vez de recordarmos os anos 90 com saudades, possamos revivê-los como parte da nossa história, como o passado de um voleibol que hoje tem outra cara, mas igualmente glorioso! 

[1] “Lindi, porquê nós (Académica do Mindelo) recebemos menos que os rapazes”



Lindi Lima
maisvoleibol 2013


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