Estava eu sentado no meu humilde sofá quando veio há memória algo que me faz pensar e, se calhar, também a outros que tal como eu fazem da nossa adorada modalidade um enorme investimento.

Por tal, puxem um pouco da vossa memória e acompanhem o raciocínio deste vosso colega. É sabido que os tempos são duros, crise nisto, crise naquilo e ainda mais, poucos são os clubes que em Portugal pagam o que realmente merecemos, mas contudo, quem investe em quem?
Em minha opinião somos nós mesmos. E porque, simples, investimos na nossa formação enquanto treinadores, pagamos as nossas formações e de nível para nível de treinador, mais caro fica esse investimento e muitas das vezes nem temos grande espaço de manobra para actuar numa equipa do escalão principal, mas ainda assim continuamos a fazer esse investimento.
Por vezes actuamos nos escalões mais jovens e em alguns clubes, existe pouco material para podermos orientar os mais novos e no entanto lá vamos nós puxar do fundo de investimento por assim dizer e lá compramos um computador portátil, onde fazemos programas em excel para fazer estatísticas dos nossos atletas enquanto jogam; criamos ficheiros sobre os programas de treino de cada; e uma série infinita de coisas, além disso, lá vamos à carteira e compramos uma câmara de filmar, um tripé e de preferência a dita câmara deve dar para podermos gravar directamente para o computador para mais tarde podermos analisar melhor os lances dos jogos ou dos treinos e podermos identifica-los a nós e também aos atletas.
Um investimento que sai do nosso bolso, porque verdade verdadeira, esse investimento não sai dos clubes.
Mas esta história do investimento não termina aqui, se é verdade que a maioria dos clubes com formação não paga ou demora a pagar, também é certo que muitas das vezes parte das “corridas” que fazemos em cada jogo, sai do nosso bolso, ou por outros termos, quando nos deslocamos do clube para o pavilhão do nosso adversário, o dinheiro para gasolina/gasóleo sai do nosso bolso, sem falar de que vamos sempre com alguns atletas na boleia.
Mas isto ainda melhora, imaginemos que como eu, resolvemos apostar no voleibol de praia, lá sacamos uma vez mais da carteira e são as bolas, são as redes, o material que por vezes compramos para outro tipo de exercícios e este meus caros, sai verdadeiramente do nosso bolso.
Por tal, faço novamente a pergunta. Porque investimos nós nesta modalidade?
É certo que o voleibol não é como o futebol, em que o investimento dum treinador nesta área, numa época normal, consegue recuperar e lucrar num instante, enquanto que por sua vez, muitos são os treinadores/as que demoram épocas inteiras para conseguirem recuperar o investimento.
Mas então porque o fazemos? ... Simplesmente porque amamos o que fazemos, porque gostamos de ver no futuro os nossos jovens atletas chegarem perto de nós e dizerem-nos, “obrigado prof por ter investido na minha educação e cultura desportiva”, e porque sabemos que no final as vitórias e conquistas que eles/as tem, são as nossas medalhas de ouro, prata e bronze. Porque sabemos que parte deste investimento tem consequências para sempre na nossa vida e por muito que digamos que não voltaríamos a fazê lo, certo é que o faríamos vezes sem conta.
Joaquim Teixeira
maisvoleibol 2013


























3 comentários:
Esta foi a crónica que nos últimos tempos mais me tocou.
Pegando nas suas palavras, "Simplesmente porque amamos o que fazemos" Esta é a principal verdade para todos os sacrificios que fazemos dia a dia, semana a semana, temporada após temporada.
"Porque gostamos de ver no futuro os nossos jovens atletas chegarem perto de nós e dizerem-nos, “obrigado prof por ter investido na minha educação e cultura desportiva” Esta por vezes é o único reconhecimento que temos.
E aqui tenho razões para falar, sou treinador pela quarta época, para trás tenho apenas experiência como jogador, comecei este caminho como treinador adjunto, e só tenho que dizer bem daqueles com quem trabalhei, aprendi muito e tenho a sensação que também tenho o reconhecimento das atletas com quem trabalhei, umas mais que outras.
Tenho pena de ter sido obrigado a sair do clube onde vi crescer a minha filha como jogadora, onde sem qualquer tipo de compensação trabalhei durante 3 anos, sempre disponivel para ajudar, e como disse antes apenas por carolice.
É lamentável quando chegamos ao fim de uma época e demonstramos a nossa disponibilidade a custo zero, para continuar e nos afastam sem qualquer explicação.
Como costumo dizer à minha filha "uma porta se fecha outra se abre", isto porque o pontapé que me deram, levou-me a outro clube que apenas exite à dois anos e por carolice e poder trabalhar com atletas que não têm mais que 1 ano de voleibol, isto sim é um desafio, enquanto outros vibram por ganhar um set ou 1 jogo eu vou vibrando sempre que elas conseguem fazer uma jogada com três toques.
Carlos Louro
Caro Carlos, fico sensibilizado com as suas palavras e compreendo bem a mágoa porque passou, contudo a vida continua e como refere e bem, fecha-se uma porta e outra abre-se.
Siga em frente. Já agora qual o clube que treina actualmente?
Abraço
Teixas
Estou num projeto que não tem mais de um ano em Viana do Castelo, Clube desportivo de Monserrate, tentamos levar o Voleibol a outra zona da cidade, que não seja só o VCV.
É dificil conseguir muito com duas horas por semana, no entanto fica a satisfação de poder ver as caras deste grupo de meninas, quando como eu disse anteriormente conseguimos uma jogada com 3 toques e de preferência que seja ponto.
Obrigado pelas suas palavras
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